Empresas já pediram R$ 19,5 bilhões ao BNDES em crédito do Plano Brasil Soberano
Valor solicitado corresponde a quase todo o orçamento da segunda fase do programa, criado para apoiar exportadores
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já recebeu pedidos de financiamento que somam R$ 19,5 bilhões na segunda etapa do Plano Brasil Soberano, valor equivalente a cerca de 93% dos R$ 21 bilhões disponíveis para o programa.
Segundo dados divulgados pelo banco nesta quarta-feira (22), foram protocolados 677 projetos, dos quais 313 partiram de micro, pequenas e médias empresas.
Investimentos lideram demanda
A maior parte dos recursos solicitados está destinada à ampliação da capacidade produtiva e à modernização industrial.
Ao todo, R$ 7,5 bilhões em pedidos de crédito têm como objetivo financiar expansão de fábricas, adaptação de linhas de produção e projetos de inovação tecnológica. Os principais setores contemplados são saúde, fertilizantes, minerais críticos e indústria química.
Outros R$ 4,7 bilhões foram solicitados para capital de giro voltado à produção destinada à exportação, enquanto R$ 1,2 bilhão será direcionado à compra de máquinas e equipamentos.
Mais da metade dos recursos já foi aprovada
Do montante solicitado, o BNDES informou que já aprovou R$ 10,6 bilhões em financiamentos.
Os recursos beneficiarão empresas dos setores de alimentos, metalurgia, automotivo, máquinas e equipamentos, química, indústria farmacêutica, agropecuária e madeira, entre outros.
Segundo o presidente do banco, Aloizio Mercadante, os projetos em análise têm potencial para ampliar a competitividade da indústria brasileira e estimular investimentos de longo prazo.
Governo amplia programa
Os números foram divulgados no mesmo dia em que o governo federal anunciou a terceira fase do Plano Brasil Soberano.
A nova etapa prevê a liberação de R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e por empresas prejudicadas pelos efeitos da guerra no Oriente Médio.
Quem pode acessar os recursos
O programa é dividido em três grupos de beneficiários.
O primeiro reúne exportadores da indústria e seus fornecedores atingidos pelas tarifas americanas, incluindo empresas dos setores de aço, alumínio, cobre, automóveis e móveis.
O segundo contempla segmentos industriais considerados estratégicos para a balança comercial e para a transição energética, como os ramos químico, farmacêutico, eletrônico, de máquinas e equipamentos, minerais críticos e tecnologia.
Já o terceiro grupo é formado por empresas exportadoras que mantêm negócios com países do Oriente Médio e foram afetadas pela instabilidade na região, entre eles Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Omã, Bahrein, Irã e Iraque.
O Plano Brasil Soberano foi criado pelo governo federal para ampliar a oferta de crédito a empresas exportadoras em momentos de maior instabilidade no comércio internacional, utilizando recursos do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) e do próprio BNDES.







