Clique e assine a partir de 9,90/mês

Empresas de energia podem perder 70% da receita

Queda no faturamento é apontada por cálculos do setor privado após o governo divulgar novas tarifas para usinas que pediram renovação da concessão

Por Da Redação - 2 nov 2012, 16h46

As 81 usinas que poderão renovar seus contratos de concessão perderão aproximadamente 70% de suas receitas, apontam cálculos preliminares do setor privado. O governo federal divulgou na noite desta quinta-feira as novas tarifas para essas usinas e, segundo o presidente da Associação Brasileira de Investidores em Auto Produção de Energia (Abiape), Mário Menel, o resultado é uma “devastação tarifária”.

A estimativa das perdas de receita foi dificultada pelo fato de o governo ter apresentado as novas tarifas de cada usina por quilowatt/ano (kW/ano) em vez do tradicional megawatt/hora (MW/h). Considerando um fator de 0.55 correspondente à produtividade média de todas as usinas do setor interligado brasileiro, o executivo chegou a um resultado médio de 23,46 reais por MW/h para o grupo das unidades em processo de renovação. O valor é 72,4% menor que a média de 85 reais por MW/h praticada no país atualmente. “Não temos um parâmetro de referência totalmente esclarecido ainda, mas já dá para perceber que o impacto foi enorme. Cada companhia terá de fazer suas próprias contas”, avaliou Menel.

Pelos cálculos do executivo, mesmo a maior tarifa dessas usinas ainda estará abaixo da média atual brasileira. A usina de Forquilha, da Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica (CEEE-GT), teve valor fixado em 324,4 reais por kW/ano, que, segundo a fórmula de Menel, corresponderia a cerca de 67,34 reais por mW/h. A energia mais barata, do complexo Ilha Solteira da Cesp, custaria apenas 5,94 reais por mW/h (28,6 reais por kW/ano, na tabela do governo).

Leia mais:

Continua após a publicidade

Indenizações do setor elétrico somam R$ 20 bilhões

Governo define diretrizes para pente-fino de energia

Menel também destacou que o volume das indenizações divulgadas nesta quinta-feira pelo Ministério de Minas de Energia (MME) – que ficou em torno 20 bilhões de reais para 15 usinas e nove transmissoras – não passou nem perto das expectativas do setor que, por valores contábeis, chegavam a 47 bilhões de reais.

Somente a Eletrobras esperava receber 30 bilhões de reais e terá de se contentar com menos da metade, cerca de 14 bilhões de reais. A Cesp, que pedia 9 bilhões de reais, ficou com pouco menos de 1 bilhão de reais. “Com certeza o governo só divulgou as tabelas no início da noite para não tumultuar muito o mercado, mas ainda haverá muita repercussão na Bolsa de Valores a partir de segunda-feira. E não há nem como contestar os cálculos do governo, porque as contas não foram divulgadas, só os resultados”, acrescentou Menel.

Continua após a publicidade

Ele ponderou que, ainda assim, as principais companhias do setor sairão do processo bem capitalizadas por esse volume de ressarcimento. O saque das indenizações poderá ser feito à vista. As empresas terão até 4 de dezembro para revisarem seus cálculos e decidirem se querem ou não renovar os contratos sob as novas condições do governo. Mas para o presidente da Abiape, as audiências públicas marcadas para a próxima semana na Comissão Especial da Medida Provisória nº 579 – que trouxe as regras para a renovação das concessões – já prometem “pegar fogo”. “A bola agora está com o Congresso. O parlamento será a caixa de ressonância da insatisfação dos concessionários”, concluiu Menel.

(com Estadão Conteúdo)

Publicidade