Empresas americanas se preparam para investir bilhões no petróleo da Venezuela
Chevron e Halliburton estão entre as companhias que negociam novos negócios em um setor que o governo Trump quer reabrir ao capital americano
A Chevron e outras empresas americanas do setor de energia estão perto de fechar acordos para investir bilhões de dólares na exploração de petróleo na Venezuela.
É um movimento que pode ampliar a presença dos Estados Unidos em um país que concentra algumas das maiores reservas de petróleo do mundo.
A Chevron negocia a incorporação de dois novos campos de petróleo pesado às suas operações na Venezuela, segundo pessoas familiarizadas com as conversas ouvidas pelo Wall Street Journal.
A empresa já mantém três joint ventures com a estatal venezuelana PDVSA e é hoje a única grande petroleira americana com operações no país.
A Halliburton, uma das maiores empresas de serviços para a indústria de petróleo dos Estados Unidos, também negocia sua entrada ou expansão no mercado venezuelano, com o fornecimento de equipamentos e serviços para produtores locais.
Executivos de empresas de petróleo e gás devem viajar a Caracas nos próximos dias para assinar novos acordos de produção. O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, também é esperado na Venezuela.
O desafio, porém, vai muito além da assinatura dos contratos.
Grande parte dos campos oferecidos pelo governo venezuelano exige investimentos pesados antes de começar a produzir. Muitos são áreas ainda pouco desenvolvidas, sem infraestrutura adequada e, em alguns casos, sem fornecimento confiável de energia.
A entrada de novas empresas faz parte da estratégia de Washington para ampliar a produção venezuelana e garantir maior oferta de petróleo pesado para as refinarias americanas.
Apesar de possuir uma das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, a Venezuela produz atualmente cerca de 1,1 milhão de barris por dia, volume praticamente estável em relação ao ano passado e muito abaixo dos níveis históricos do país.
A aproximação entre os dois países ganhou força após a mudança política ocorrida em Caracas no início do ano. Desde então, o governo de Donald Trump tem pressionado grandes empresas americanas a investir na recuperação da indústria petrolífera venezuelana.
A resposta inicial, porém, foi cautelosa. As companhias demonstraram preocupação com a segurança jurídica dos investimentos e com as regras que vão reger a exploração do petróleo no país.
A Venezuela tem um histórico de nacionalizações e disputas com grupos estrangeiros, um dos principais obstáculos para atrair novamente as grandes petroleiras internacionais.
ExxonMobil e ConocoPhillips, duas das principais concorrentes da Chevron, permanecem fora das novas negociações por enquanto.
As duas empresas tiveram ativos nacionalizados durante o governo de Hugo Chávez, em 2007, e ainda buscam compensações bilionárias pela perda dos investimentos.
A Chevron, portanto, pode sair na frente nessa nova etapa de abertura do setor petrolífero venezuelano. Sua presença contínua no país e a relação já estabelecida com a PDVSA colocam a companhia em posição privilegiada para ampliar sua produção.
No início deste mês, a Hunt Oil foi a primeira empresa americana a assinar um novo acordo para produzir petróleo na Venezuela. Paralelamente às negociações com as companhias privadas, os governos dos Estados Unidos e da Venezuela discutem uma participação direta de Washington em 17 dos campos petrolíferos mais promissores do país, que concentram cerca de 90 bilhões de barris em reservas comprovadas.
A aposta americana é que a entrada de capital, tecnologia e empresas estrangeiras consiga reverter décadas de queda na produção venezuelana. Mas a recuperação exigirá investimentos de bilhões de dólares e dependerá, sobretudo, da capacidade do país de oferecer estabilidade política e segurança jurídica suficientes para convencer as grandes petroleiras a retornar.







