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Emprego nos EUA melhora, mas gasto real fica estagnado

Por Da Redação 1 mar 2012, 13h44

Por Jason Lange

WASHINGTON, 1 Mar (Reuters) – Os norte-americanos registraram poucos novos pedidos de auxílio-desemprego na semana passada, mas os gastos do consumidor ficaram estáveis em janeiro pelo terceiro mês consecutivo depois de descontada a inflação, lançando uma nuvem sobre a perspectiva econômica.

Embora a melhora no mercado de trabalho -a taxa de desemprego caiu fortemente nos últimos meses- pareça estar impulsionando a renda, a inflação e os impostos comeram os ganhos em janeiro.

“As coisas não estão tão floridas no jardim e o consumo ainda está enfrentando significativos ventos contrários aqui”, afirmou o chefe de estratégia de câmbio do BNP Paribas para a América do Norte em Nova York, Ray Attrill.

Os gastos dos consumidores e um grande ganho em estoques ajudaram a impulsionar a economia, que cresceu 3 por cento em uma taxa anual durante os últimos três meses de 2011 -o ritmo mais rápido em mais de um ano.

Mas o relatório desta quinta-feira mostrou que algumas medidas de gastos talvez começaram a se estabilizar. Os gastos subiram 0,2 por cento em janeiro, pouco abaixo das expectativas dos analistas.

No entanto, a leitura dos gastos ficou estável após ajustada pela inflação, como aconteceu em dezembro e novembro.

Isso ofusca a perspectiva econômica porque as compras das famílias, desde televisões até refeições em restaurantes, são os principais motores do crescimento.

O aumento da renda veio pouco abaixo das previsões dos analistas, de ganho de 0,4 por cento. A renda após os impostos caiu 0,1 por cento, quando ajustada pela inflação.

A inflação acelerou recentemente devido ao aumento dos aluguéis e dos preços de gasolina. Os preços nos gastos de consumo pessoal subiram 0,2 por cento em janeiro, ante 0,1 por cento em dezembro.

Além disso, os dados de auxílio-desemprego somam-se à visão de que o relatório de emprego da próxima semana pode mostrar que as companhias estão contratando em um ritmo rápido.

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“Isso realmente se soma à evidência de que a economia teve uma dinâmica melhor do que as pessoas esperavam”, disse o economista do UBS Securities in Stamford, Connecticut, Kevin Cummins.

Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego tiveram queda de 2 mil solicitações, para 351 mil em números sazonalmente ajustados. O dado da semana anterior foi revisado para cima, para 353 mil, dos 351 mil informados previamente.

O número de pedidos tem girado perto das mínimas de 4 anos ao longo das últimas semanas. Economistas consultados pela Reuters previam que o número ficaria em 351 mil.

A média móvel de quatro semanas, considerada uma medida melhor das tendências do mercado de trabalho, caiu em 5.500, para 354 mil, menor nível desde março de 2008.

O governo vai divulgar o relatório de emprego de fevereiro em 9 de março. Embora o mercado de trabalho esteja ganhando impulso, o nível de emprego ainda está 5,82 milhões aquém de seu nível pré-recessão.

Na quarta-feira, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, descreveu o mercado de trabalho como “longe do normal” e disse que uma melhora adicional exigiria crescimento mais forte na demanda final e na produção.

Uma autoridade do Departamento do Trabalho disse que não há nada incomum nos dados estaduais, e que nenhum Estado havia sido estimado.

O número de pessoas que ainda está recebendo os benefícios sob programas regulares do governo após a primeira semana de ajuda caiu em 2 mil, para 3,40 milhões na semana encerrada em 18 de fevereiro.

O número de norte-americanos que estão recebendo auxílio-desemprego emergencial subiu em 1.347, para 2,90 milhões na semana encerrada em 11 de fevereiro, a última semana em que o dado foi atualizado.

Um total de 7,5 milhões de pessoas estavam solicitando auxílio-desemprego durante o período sob todos os programas, uma alta de 11.933 em relação à semana anterior.

(Reportagem adicional de Lucia Mutikani em Washington e Emily Flitter em Nova York)

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