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Emergentes compram mais empresas de países desenvolvidos

Companhias que cresceram no Hemisfério Sul, e que antes eram vistas como alvos de conglomerados do mundo desenvolvido, hoje vão às compras

Por Ligia Tuon 14 mar 2013, 13h08

Há algum tempo já não faz tanto sentido definir o Hemisfério Sul como a parte pobre do globo. No mundo dos negócios, ao menos, o poderio das nações do Sul é inegável, segundo mostra o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), em relatório divulgado nesta quinta-feira.

O Pnud mostra que as nações que possuem renda per capita mais baixa estão se globalizando e investindo no exterior por meio da compra de companhias do Hemisfério Norte. Em 2011, 61 das 500 maiores corporações do mundo que entraram na lista da revista Fortune eram chinesas, oito eram indianas e sete brasileiras. Apenas cinco anos antes, a China tinha 16 empresas na lista, a Índia, cinco, e o Brasil, três.

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Exemplo do recente movimento de fusões de aquisições dos países do Sul foi a compra da divisão de notebooks da IBM pela chinesa Lenovo, em 2005, por 1,25 bilhão de dólares. Só em 2010, companhias chinesas gastaram 42,2 bilhões de dólares em uma mistura eclética formada por mais de 200 aquisições. Uma das mais notáveis foi a compra da sueca Volvo pela montadora chinesa da indústria Zhejiang Geely. No mesmo ano, a Sany Heavy Industry Co. – fabricante de produtos pesados, como máquinas de construção – adquiriu a empresa alemã que atua no setor de concreto Putzmeister; a Liugong Machinery Co. Ltd. comprou a empresa polonesa Huta Stalowa Wola – fabricante de equipamentos de construção; e a Shandog Heavy Industry Group comprou 75% da italiana Ferreti Group, que fabrica iates.

Brasil – As companhias brasileiras do setor de alimentos também têm se mostrado ativas: em 2007, a JBS Friboi comprou a rival americana Swift para facilitar sua entrada nos Estados Unidos. Em 2011, companhias turcas fecharam 25 acordos que, juntos, totalizam 3 bilhões de dólares. Uma das famosas aquisições turcas é a Godiva, fabricante belga de chocolates, que foi comprada por 850 milhões de dólares pela Yildiz Holding.

Há grandes exemplos também na Índia. A companhia indiana Tata Group adquiriu a anglo-alemã Corus por 13,3 bilhões de dólares em 2007 e a Jaguar Land Rover por 2,6 bilhões de dólares em 2008. O Aditya Birla Group comprou a companhia de alumínio americana Novelis em 2007 e a Columbian Chemicals em 2011. Além disso, a Mahindra e Mahindra comprou a coreana Sangyong, uma fabricante de carros à beira da falência.

Ainda não está claro, de acordo com o Pnud, se essas mudanças de controle ajudam a aumentar a rentabilidade das companhias no curto prazo ou mesmo se agregam mais valor aos produtos. Entretanto, no longo prazo, o que motiva esse tipo de estratégia (de buscar recursos fora do país de origem), é a possibilidade de adquirir conhecimento, habilidades e competências que ajudarão as empresas a crescer tanto no exterior como em seus países de origem.

A aquisição de uma empresa já estabelecida no mercado do Hemisfério Norte dá às companhias do Sul uma posição mais consolidada em mercados maduros. Essas empresas conseguem ainda reduzir suas bases de custo por meio da diversificação e globalização do estoque, além de ganhar tecnologia e know-how tácito (como gestão de risco ou rating de crédito no caso de instituições financeiras) para melhorar as capacidades operacionais.

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