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Em vitória de Levy, comissão aprova proposta de meta fiscal sem abatimento do PAC

Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2016 manterá previsão de economia para o pagamento de juros da dívida que corresponde a 0,7% do PIB

Por Da Redação 12 nov 2015, 14h37

Após um acordo costurado a portas fechadas entre base aliada e oposição, a Comissão Mista de Orçamento aprovou nesta quinta-feira o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2016. Em uma hora e meia, o colegiado voltou atrás da posição anterior e, na votação dos destaques, retirou a possibilidade de o governo abater da meta fiscal até 20 bilhões de reais de investimentos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Na prática, a meta fiscal do próximo ano continuará sendo de um superávit primário – economia feita pelo governo para o pagamento de juros da dívida pública – de 0,7% do PIB, o que corresponde a 43,8 bilhões de reais. A mudança significa uma vitória para o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, crítico de qualquer tipo de dedução da meta fiscal. A proposta seguirá para apreciação do plenário do Congresso, que pode votar a medida na próxima terça-feira.

Nos bastidores, a base aliada fechou um acordo com a oposição para, em troca da aprovação do superávit primário de 0,7% do PIB para o próximo ano, não impedir com manobras regimentais a votação do projeto de lei que altera a meta fiscal de 2015. Essa alteração deve ser apreciada pela Comissão Mista de Orçamento na próxima semana.

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O governo vê com grande preocupação o risco de o projeto que altera a meta fiscal deste ano não ser aprovado até o fim do ano pelo Congresso. Se não cumprir a meta prevista originalmente, a presidente Dilma Rousseff poderá ser enquadrada pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e também por crime de responsabilidade. No limite, abriria uma brecha para ser alvo de um processo de impeachment.

O relator da LDO de 2016, deputado Ricardo Teobaldo (PTB-PE), anunciou o resultado do acordo no momento da votação do seu parecer. De 291 emendas, ele acatou 33, sendo que duas se referiam à retirada do abatimento de 20 bilhões de reais do PAC, conforme ele havia acatado anteriormente. “Isso foi feito em entendimento com todas as lideranças e com a presidente (da comissão, senadora Rose de Freitas)”, disse Teobaldo.

O deputado de oposição Caio Nárcio (PSDB-MG) elogiou a aprovação da LDO de 2016 na comissão sem o abatimento do PAC. “Ela retira o cheque em branco dado ao governo”, disse.

(Com Estadão Conteúdo)

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