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Em um ano, BNDESPar perdeu quase R$ 40 mi com OGX

Braço de participações do banco detém 0,26% das ações da petroleira de Eike. O papel se desvalorizou em mais de 96% entre 31 de outubro de 2012 e o pregão desta quarta

Por Talita Fernandes - 30 out 2013, 18h53

O BNDESPar, braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), perdeu mais de 38 milhões de reais em um ano devido à desvalorização do papel da OGX, a petroleira de Eike Batista.

De acordo com informações divulgadas pelo BNDES na tarde desta quarta-feira, o BNDESPar tem 0,26% das ações da petroleira – o equivalente a 8,4 milhões de papéis. Trata-se do mesmo porcentual de participação de um ano atrás, em 31 de outubro de 2012. Contudo, à época, a ação valia 4,71 reais. Hoje, o papel foi cotado a 17 centavos de real antes de ter sua negociação suspensa na BM&FBovespa, o que significa uma desvalorização de 96,39% no período. Assim, o valor da fatia do BNDESPar despencou de 39,6 milhões de reais em outubro de 2012 para 1,43 milhão de reais no fechamento desta quarta, quando a empresa entrou com o pedido de recuperação judicial.

Os acionistas costumam ficar para o fim da fila de credores quando uma empresa pede concordata. Assim, o ‘milhão’ que o BNDES detinha no final desta quarta dificilmente voltará a ser 39,6 milhões. Para se ter uma ideia, das duas propostas apresentadas pela OGX para a reestruturação de sua dívida com os credores (ambas negadas), os acionistas atuais teriam uma fatia 10% de uma nova empresa com valor de mercado de 5,23 bilhões de reais – o que renderia, segundo a consultoria Empiricus, 16 centavos por ação. Isso significa que, na melhor das hipóteses (que ainda não agrada os credores), o BNDESPar receberia algo próximo de um milhão de reais pelo dinheiro que investiu na petroleira de Eike.

A assessoria de imprensa do BNDES não informou ao site de VEJA o valor que o braço de participações aportou na empresa, tampouco a data em que os investimentos foram feitos. Disse apenas que a compra foi feita de forma “pulverizada” e que os 0,26% correspondiam a um “residual”, indicando que o BNDESPar já vendeu boa parte de suas ações da petroleira. O interessante é que o lote residual pode ter gerado perdas expressivas para o fundo. Se em 15 de outubro de 2010, quando o papel da OGX valia 23,27 reais, o BNDESPar detivesse 0,26% das ações, sua participação seria de 195,7 milhões de reais – e as perdas no período somariam nada menos que 194,3 milhões de reais.

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Questionada pelo site de VEJA sobre qual o impacto das perdas da OGX, assim como o pedido de falência, a assessoria de imprensa disse que seria “zero”, já que a fatia representa apenas 0,01% da carteira do fundo. O BNDES informou também não ter concedido nenhum financiamento à OGX, “não havendo, portanto, qualquer exposição de crédito à referida companhia”, afirmou a instituição por meio de nota enviada à imprensa. Em julho, quando a crise financeira do grupo EBX se agravou, o banco informou ter emprestado 10,4 bilhões de reais ao conglomerado de empresas de Eike Batista. Segundo a instituição, apenas 6 bilhões de reais desse montante foram desembolsados. Apesar dos elevados empréstimos, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse nesta quarta-feira que a situação das empresas do Grupo EBX com o banco está “inteiramente equacionada”.

A assessoria do banco disse que a fala de Coutinho deve-se ao fato de que grande parte desse montante foi concedida a três empresas que não são mais controladas por Eike: MPX (energia), MMX (mineração) e LLX (logística). “Já resolvemos toda a nossa exposição de crédito ao grupo e não teremos perda em relação aos nossos créditos”, disse Coutinho, garantindo que a exposição por crédito direto é “zero”.

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O executivo confirmou ainda que há um empréstimo-ponte (de 418 milhões de reais para a OSX), com a ressalva de que a operação está coberta por garantia bancária. A assessoria acrescentou ainda que apenas a OSX (construção naval) tem o BNDES como credor, mas que os empréstimos têm garantia bancária, o que, segundo o banco, “não traz preocupações com as dívidas do conglomerado de Eike Batista”.

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