Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Em tom de provocação, Mantega comemora PIB e diz que analistas terão de rever previsões

País registrou crescimento de 0,7% no último trimestre do ano passado, acima da expectativa dos analistas. No acumulado de 2013, PIB cresceu 2,3%

Ao comentar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de 2013, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, manteve seu habitual tom de otimismo e disse que economia brasileira está em trajetória de aceleração gradual, e que o crescimento vai continuar em 2014. Na manhã desta quinta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a economia brasileira teve um crescimento de 2,3% em 2013.

O número, ajudado por um crescimento acima do esperado no quarto trimestre do ano passado, de 0,7%, contudo, não reflete um crescimento forte e nem sustentável. Primeiramente porque a alta da economia se dá com uma base de comparação muito baixa, no segundo trimestre, o PIB sofreu uma contração de 0,5%. Além disso, ao se analisar a composição do dado, podemos observar que a agropecuária – que vinha sustentando o crescimento da economia – ficou estagnada nos últimos três meses do ano. Já a indústria teve um dado ainda pior no período: contração de 0,2%.

Mais uma vez, Mantega disse que o cenário externo menos favorável impediu um crescimento mais expressivo no ano passado. O ministro também escora na conjuntura internacional a esperança de que o Brasil continue crescendo este ano. “Essa melhora (do mercado internacional) ainda não aconteceu em 2013, mas está começando a acontecer em 2014”, disse. “Teremos um cenário internacional cada vez melhor em 2014. Os mercados vão melhorar e a nossa indústria, que teve problemas de crescimento em 2013, poderá crescer mais, aumentando as exportações. Agora com um câmbio melhor”, acrescentou.

Em tom de provocação, o ministro disse ainda que os analistas terão muito trabalho no fim de semana para rever as suas projeções de crescimento do PIB em 2014, depois da divulgação do resultado da economia no quatro trimestre. “Os analistas estão revendo as suas projeções à luz do resultado do quarto trimestre”, disse.

Leia também:

Brasil deverá cair para a 9ª posição entre as maiores economias

Economia brasileira surpreende no fim do ano e avança 2,3% em 2013

Apesar de a economia ter crescimento um pouco acima do esperado no final do ano passado, Mantega não tem tantos motivos para se manter otimista. O Boletim Focus reduziu por três semanas seguidas as estimativas de crescimento do PIB em 2014, que agora está em 1,7%. Além disso, um dos principais setores produtivos, a indústria, não conseguiu ter um desempenho forte, com alta de apenas 1,3%. De novo, Mantega culpou o mercado externo pelo fraco desempenho, dizendo que alguns segmentos dependem do exterior.

Ele tentou ainda aliviar os dados fracos com o desempenho do setor de serviços. Do lado da demanda, o ministro disse que o destaque é o crescimento da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que subiu 6,3%. “Foi excelente o crescimento e dá qualidade para o crescimento da economia em 2013”, avaliou.

O ministro prevê ainda uma estabilização das turbulências em 2014, provocadas, sobretudo, pela diminuição dos estímulos dos bancos centrais, como o Federal Reserve (Fed, nos Estados Unidos). Com mais estabilidade cambial, haverá mais investimento e ingresso de capitais, avaliou. “Os empresários brasileiros poderão também tomar crédito lá fora, o que contribuirá para um cenário melhor”, disse.

Leia ainda:

Investimentos e indústria foram os vilões do PIB no 4º trimestre, apontam analistas

Na corrida do PIB, México perde do Brasil – mas leva a melhor

Tombini – Nesta quinta-feira, comentando o PIB, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, também falou em “recuperação gradual da atividade econômica”, o que, segundo ele, pode alimentar expectativas de continuidade do crescimento nos anos seguintes. “As mudanças na composição da demanda e da oferta fortalecem as perspectivas de continuidade do atual ciclo de crescimento neste e nos próximos anos, processo que tende a apoiar-se nos sólidos fundamentos da economia brasileira, na robustez do mercado interno e no ambiente de intensificação da atividade global”, comentou em comunicado.

(com agência Reuters e Estadão Conteúdo)