Em ritmo de obras: Sabesp busca conciliar universalização, eficiência e modicidade tarifária
Após a privatização, companhia de saneamento mais que dobra os investimentos e reforça a segurança hídrica
O primeiro ano completo da Sabesp após a desestatização foi marcado por uma mudança de escala. Em 2025, a companhia investiu 15,2 bilhões de reais, mais que o dobro do ano anterior, para antecipar a universalização dos serviços de água e esgoto nos 371 municípios que atende para 2029. No período, 1,8 milhão de pessoas passaram a ter acesso à água tratada, 2,1 milhões, à coleta de esgoto e 3,8 milhões, ao tratamento de esgoto. A receita líquida chegou a 38 bilhões de reais e o lucro líquido, a 8,5 bilhões. Para Carlos Piani, presidente da Sabesp, o avanço reflete o ganho de tração da mudança iniciada com a privatização. “Nós estamos conduzindo o maior programa de transformação do saneamento da história do estado de São Paulo”, diz. Segundo ele, a estratégia se apoia em três frentes: universalização, segurança hídrica e redução do impacto ambiental, sobretudo com a ampliação do tratamento de esgoto. Para sustentar esse ciclo, a companhia precisa ser mais eficiente e financiar as obras com geração própria e captações no mercado. Em 2025, foram levantados 18,7 bilhões de reais.
O desafio não é apenas financeiro. A empresa depende de fornecedores capazes de acompanhar o novo ritmo de autorizações municipais e ambientais para executar obras em maior escala. Para ganhar agilidade, a Sabesp criou uma nova área de compras e suprimentos e reviu condições de capital de giro dos fornecedores. Outra frente é a segurança hídrica. Em janeiro de 2026, a Sabesp concluiu a compra do controle da Emae, dona de ativos ligados à represa Billings e estratégica para ampliar as alternativas de abastecimento da Região Metropolitana. Piani afirma que a integração permitirá decidir como utilizar melhor a água da represa entre geração de energia e abastecimento. Com mais tratamento de esgoto e a melhora dos rios Pinheiros e Tietê, a aposta é que a Billings ganhe importância e evite obras mais caras.
Na avaliação de Luciana de Andrade Costa, pesquisadora do Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura da FGV, o contrato de concessão firmado em 2024 cria incentivos para conciliar o salto dos investimentos com a modicidade tarifária. Os investimentos só entram na base de ativos considerada no cálculo da tarifa depois de realizados, certificados por avaliador independente e homologados pela Arsesp, a agência reguladora dos serviços públicos do Estado de São Paulo. Para a pesquisadora, o mecanismo evita que o consumidor pague por investimentos que não tenham sido executados. A prioridade agora é transformar esse desenho regulatório e o volume de aportes em resultados concretos. “O ritmo de investimento por si só é um desafio importante”, diz Luciana, que cita ainda a escassez hídrica e a necessidade de mobilizar fornecedores e capital. Piani reconhece a complexidade da tarefa, mas está confiante: “O principal pilar é a universalização: levar um serviço básico aos que ainda não têm”.
Publicado em VEJA, agosto de 2026, edição VEJA Negócios nº 29







