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Em reunião, Dilma apresenta ‘defesa prévia’ de pedaladas e busca apoio de aliados

Encontro com líderes dos partidos da base governista teve apresentação da estratégia do governo para defender a legalidade das contas no TCU e evitar um processo de impeachment

Em encontro convocado de última hora, a presidente Dilma Rousseff reuniu nesta segunda-feira ministros, parlamentares e presidentes de partidos aliados no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, para antecipar a defesa que será apresentada ao Tribunal de Contas da União (TCU) no julgamento das contas do governo. A petista é alvo de questionamentos e suspeita de irregularidades, entre elas as chamadas pedaladas fiscais, e tem até o próximo dia 21 de julho para prestar esclarecimentos. Caso as contas sejam rejeitadas, Dilma pode sofrer um processo de impeachment.

Ao longo de encontro de cerca de duas horas, os ministros Nelson Barbosa (Planejamento) e Luís Inácio Adams (Advocacia-Geral da União) fizeram uma apresentação detalhada sobre os pontos questionados pela corte. Argumentaram que as manobras usadas pelo governo para fechar as contas já aconteciam na década de 1990, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, e que o governo recorre a essa metodologia por não haver regulamentação. Ao final, os aliados da presidente anteciparam o tom que deve ser adotado para evitar o aprofundamento da crise: falam em “convencimento geral” em relação à legalidade das contas. “Não há o que temer. Os comentários sobre a defesa já são muito fortes e por isso nós achamos que o TCU exagerou”, disse o líder do PT na Câmara, deputado Sibá Machado (PT-AC).

Apesar do clima de otimismo, nos bastidores o julgamento desperta preocupação do governo. “Foi uma tentativa de antecipar a defesa e não cristalizar uma posição no Congresso Nacional. O governo dá como certo que vem bomba no TCU”, afirmou um deputado que participou do encontro. “A gente sabe que esse é um movimento político, e não técnico. Se fosse um movimento técnico, já teriam feito essa apresentação em outro momento”, disse um outro aliado do Planalto.

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A reunião de Dilma com aliados ocorre um dia depois de o PSDB aproveitar a convenção do partido, na qual o senador Aécio Neves (MG) foi reconduzido à presidência da legenda, para intensificar os ataques contra a petista. Um grupo de tucanos sugeriu novas eleições antes de 2018.

Em busca de vacinar Dilma no Congresso e pavimentar o apoio de sua base no Congresso, para onde as contas da presidente serão enviadas após análise do TCU, o conselho político da presidente também decidiu fazer um ato de solidariedade à petista e ao vice-presidente da República, Michel Temer. Os aliados vão se reunir no gabinete de Temer nesta terça-feira para definir o conteúdo do documento e os partidos que vão subscrevê-lo. Em outra frente, o governo defende a realização de audiências públicas no Congresso com ministros para apresentar as argumentações sobre as contas.

Entre os que participaram do encontro no Alvorada estão os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Nelson Barbosa (Planejamento), os senadores Humberto Costa (PT-PE) e José Pimentel (PT-CE), e os deputados José Guimarães (PT-CE), Rogério Rosso (PSD-DF) e Eduardo da Fonte (PP-PE). Conhecido desafeto de Dilma, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), chegou à residência oficial da presidência ao fim do encontro e reuniu-se separadamente com a petista.

Dilma viaja nesta terça-feira para a Rússia, onde participará da VII Cúpula do Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A presidente deve retornar ao Brasil somente no próximo dia 11. Até lá, o vice-presidente Michel Temer assume o comando do Planalto.