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Em plena crise, startups levantam cifras bilionárias em novos negócios

Juros baixos, alta liquidez e startups preparadas para receberem aportes proporcionaram grandes altas para esse tipo de investimento

Por Luisa Purchio Atualizado em 15 dez 2020, 16h57 - Publicado em 15 dez 2020, 16h03

Não só por tragédias ficará marcado 2020, o ano da pandemia do novo coronavírus. Boas oportunidades de negócios surgiram ao longo do trágico ano em que, além das vidas perdidas, quase todos os países do mundo terminarão com o PIB negativo. Se a economia brasileira vem em uma recuperação gradual, há um setor em que a crise passou longe em 2020: o de startups, que levantou cifras bilionárias. De acordo com a plataforma Sling Hub, apenas nos últimos seis meses foram 147 novos negócios em startups brasileiras, no valor de 20,9 bilhões de reais. Em 2019 os investimentos em startups já tinham dobrado em relação a 2018, mas já em outubro de 2020 o montante aplicado mais que dobrou em relação a todo o ano passado e o cenário para 2021 é ainda mais promissor.

“Tivemos uma combinação de juros muito baixos, o que incentivou os investidores a irem para capital de maior risco. Além disso, houve muita liquidez para as startups captarem e muitas empresas desesperadas querendo tapar os buracos que ficaram mais aparentes durante a crise”, disse Hector Gusmão, presidente do hub de inovação Fábrica de Startups. De acordo com ele, outro fator que contribuiu com esse cenário foi o fato de que cinco grandes fundos de venture capital começaram o ano já com mais 2 bilhões de dólares captados para investir em startups.

  • De acordo com a plataforma Slinghub, as fintechs foram as que mais receberam investimentos nos últimos seis meses (veja quadro). Responsáveis por mais de 80% dos investimentos, elas receberam 15,7 bilhões de reais em 60 novos negócios. Na sequência, vem as retailtechs, ou seja, ligadas ao varejo online, com quase 12%. Elas receberam 2,3 bilhões de reais em 14 novos negócios. Entre as empresas que se destacam, estão a Magazine Luiza, que comprou mais de cinco startups no ano, a HDI e a Via Varejo.

    Para a Fábrica de Startups, que conecta principalmente grandes empresas às startups e que domina esse mercado no Rio de Janeiro, uma área de destaque no mercado foi a de healthtech. “Houve muito investimento, assim como fusões e aquisições. Na nossa previsão, isso vai continuar após a pandemia”, diz Gusmão. Até novembro, 68 startups entraram no programa de integração com empresas e 10 fecharam contrato em um valor total de aproximadamente de 700 mil reais. Ao longo de todo o ano passado, o número de contratos assinados foi igual ao de 2020, mas o valor foi inferior, de 600 mil reais. E, de acordo com a projeção dos especialistas, 2021 será um ano ainda mais promissor para as startups.

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