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Em meio à turbulência externa, agência japonesa eleva classificação do Brasil

Uma semana depois de os Estados Unidos terem sua nota da dívida rebaixada de ‘AAA’ para ‘AA+’ pela Standard & Poor’s, o Brasil vê sua nota de crédito elevada de ‘BBB-‘ para ‘BBB’ pela agência de classificação de risco japonesa Rating and Investiment Information (R&I Japan) nesta quinta-feira.

A notícia foi vista com otimismo pelos investidores brasileiros, que já vinham embalados por dados positivos sobre empregos nos Estados Unidos e pelo anúncio de um encontro, na próxima terça-feira, entre o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, para tratar da reforma financeira na Zona Euro.

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 3,79%, a 53.343 pontos, recuperando-se nos últimos pregões de toda a queda provocada pelo rebaixamento da nota americana.

Segundo especialistas, a notícia coroa a estabilidade e o crescimento apresentados pelo Brasil ao longo dos últimos anos, especialmente durante a crise hipotecária americana e diante do tumultuado cenário de crise na Europa e da dívida americana. De acordo com a R&I Japan, a perspectiva da nota do Brasil é estável.

Para o diretor-presidente da consultoria Excellèncee, Eduardo Silva, o Brasil é favorecido pela solidez da demanda de commodities internacional, que é puxada, principalmente, pelo crescimento chinês.

“Os mercados emergentes, de uma maneira geral, têm se destacado no cenário econômico internacional e o Brasil, por sua vez, tem recebido o reconhecimento disso”, diz Silva.

De acordo com o analista, a volatilidade dos mercados vai sempre existir, mas uma política econômica sólida traz credibilidade também para os mercados acionários a longo prazo e o Brasil tem feito seu dever de casa nesse sentido. “Claro que há uma série de pontos a serem trabalhados, mas o quadro geral brasileiro é sólido e o crescimento tem sido consistente”.

Além da agência japonesa, a Fitch e Moody’s atribuem a mesma nota ao Brasil, que é considerada um grau de investimento de qualidade média, próximo do grau de investimento com qualidade alta e baixo risco. Para a Standard & Poor’s, o Brasil ainda possui risco ‘BBB-‘.

Entre os pontos destacados pela R&I que favoreceram a elevação da nota brasileira estão o aumento do poder de consumo do brasileiro (principalmente da classe média) e a sólida administração da política econômica ao longo dos últimos anos, com saltos importantes da participação do Brasil no cenário econômico mundial em meio a um conturbado momento econômico global.

Segunda a agência, a inflação ainda preocupa, mas o governo brasileiro tem demonstrado competência na condução da moeda. A Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, ambas no Brasil, também são citadas no relatório como promotoras da economia.

A R&I é uma das mais conceituadas agências japonesas e é presidida pelo ex-diretor do Bank of Japan Masahiro Samejima. A agência já havia elevado a nota brasileira em 2008, passando-a de ‘BB+’ para ‘BBB-‘. Entre os países latinos – além do Brasil – Peru, Chile e México possuem o grau de investimento.