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Em mais um mês de alta nos alimentos, inflação acelera 0,89% em novembro

Além dos valores de itens de cesta básica, como arroz, as carnes voltam a acelerar; combustíveis também ficam mais caros, puxando IPCA para acima da meta

Por Larissa Quintino Atualizado em 8 dez 2020, 19h28 - Publicado em 8 dez 2020, 09h36

O cenário continua parecido, com a pressão do preço dos alimentos preocupando o consumidor na hora de ir às compras, e a inflação continua a acelerar. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em novembro ficou em 0,89%, mostrando ligeira aceleração em relação a outubro (0,86%) e o maior resultado para o mês em cinco anos. Além dos alimentos, tanto dentro como fora de casa, a alta no preço dos combustíveis também pressionou o indicador.

No ano, a inflação acumula alta de 3,13% e, em 12 meses, de 4,31%, acima dos 3,92% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. A meta para a inflação neste ano é de 4% e as altas consecutivas do índice já fazem com que o mercado financeiro indique que o IPCA encerre o ano acima do centro da meta. Com a subida do indicador, há pressão sobre o Comitê de Política Monetária (Copom), que deve anunciar amanhã sua decisão sobre a taxa básica de juros na economia, como mostra o Radar Econômico. Apesar do colegiado defender em reuniões anteriores que a alta da inflação é algo pontual, o movimento dos preços não pode ser ignorado.

Segundo o IBGE, em novembro, alimentos que já vinham pressionando a cesta das famílias como o arroz e o óleo de soja continuaram a acelerar (altas de 6,28% e 9,24%), respectivamente. Porém, outros itens que compõem a mesa do brasileiro também ficaram mais caros no mercado. O maior peso do grupo está na alta das carnes, que registrou alta de 6%. Em novembro do ano passado, as carnes também registraram grande aumento (8%) devido o aumento de exportação do alimento. Porém, as altas mais generalizadas do período em 2020 mostram uma pressão inflacionária maior, já que no mesmo período do ano passado, o IPCA estava em 0,51%. O encarecimento da batata inglesa, que subiu cerca de 30%, e do tomate (18,45%) também pesaram.

“O que tem influenciado mais nos últimos meses é a alta dos alimentos, que pode ser explicada por dois fatores: por um lado, há o aumento da demanda, sustentada pelos auxílios concedidos pelo governo e, por outro, a restrição de ofertas no mercado doméstico em um contexto de câmbio mais alto, que estimula as exportações”, explica Pedro Kislanov, gerente do IPCA. No caso da carne bovina, por exemplo, a China comprou 10% a mais do que em novembro do ano passado, de acordo com levantamento feito pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). Das 197 mil toneladas de carne embarcadas no mês, 123 mil tiveram a China como destino, segundo dados do Ministério da Economia.

  • Retomada das atividades

    Além da pressão dos preços dos alimentos para consumo em casa (3,33%), houve alta também para comer fora de casa. Com a retomada das atividades e a flexibilização do distanciamento social, o movimento nos restaurantes aumentou e alguns preços também. A cerveja, por exemplo, ficou 1,33% mais cara e refrigerante e água mineral subiram 1,05%. No mês passado, esses itens haviam caído 0,36% e 1,21%, respectivamente. 

    Houve alta em quase todos os setores, a exceção de educação e saúde e cuidados pessoais. O grupo de transportes, por exemplo, subiu 1,33%, e foi a segunda maior influência no índice de novembro. A inflação do grupo foi causada pelo aumento no preço da gasolina (1,64%). “É a sexta alta consecutiva da gasolina e, além disso, tivemos a de 9,23% do etanol e de outros componentes que têm bastante peso dentro dos transportes, como é o caso dos automóveis tanto novos quanto usados”, diz o pesquisador, ressaltando também as altas de seguro voluntário de veículos e transporte por aplicativo. Juntos, os grupos de alimentos e bebidas e transportes representaram cerca de 89% da alta do IPCA de novembro.

    “Maio foi o último mês em que tivemos deflação, uma queda de 0,38%. Desde junho temos variações positivas e a de novembro é a mais alta do ano. O que tem influenciado mais nos últimos meses é a alta dos alimentos, que pode ser explicada por dois fatores: por um lado, há o aumento da demanda, sustentada pelos auxílios concedidos pelo governo e, por outro, a restrição de ofertas no mercado doméstico em um contexto de câmbio mais alto, que estimula as exportações”, explica Kislanov.

    Além do aumento da demanda externa por alimentos e do preço dos combustíveis, a tendência para a inflação em dezembro é aceleração, fazendo com que o IPCA encerre o ano acima do centro da meta do governo. Isso porque o indicador de novembro não sentiu grande impacto do aumento da conta de luz. No início do mês, a Agência Nacional de Energia Elétrica decidiu antecipar a cobrança da bandeira tarifária nas contas de luz de dezembro. As bandeiras estavam suspensas desde o início da pandemia. O motivo é a falta de chuvas no país que deixou os reservatórios em níveis preocupantemente baixos. Como forma de desestimular o consumo de eletricidade, a bandeira vermelha será acionada e deve impactar em mais 0,4 ponto percentual — segundo algumas casas de análises — o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a inflação oficial.

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