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Em dois meses, litro da gasolina fica cerca de R$ 0,20 mais caro na bomba

Segundo dados da ANP, preço médio do combustível no país passou de R$ 5,676 para R$ 5,866; no período, Petrobras subiu valores na refinaria por duas vezes

Por Larissa Quintino Atualizado em 18 ago 2021, 19h43 - Publicado em 18 ago 2021, 10h56

Além da pressão da conta de energia, de alimentos mais caros devido a condições climáticas, o combustível também tem pesado no bolso do brasileiro. Em dois meses, o valor médio do litro da gasolina aumentou 0,19 centavos nas bombas, passando de 5,676 reais, na segunda semana de junho, para 5,866 reais, na semana encerrada em 14 de agosto, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

No período, ocorreram dois aumentos de preços da gasolina nas refinarias pela Petrobras, os primeiros da gestão do general Silva e Luna, que substituiu Roberto Castello Branco na presidência da companhia, após intervenção do presidente Jair Bolsonaro, insatisfeitos com os reajustes. Na última quinta-feira, foi anunciado reajuste no preço médio de 2,69 reais para 2,78 reais, uma alta de 3,3%, o aumento anterior foi de 6,3% e, em 12 de junho, houve diminuição de 2%. O repasse da refinaria ao consumidor final não é imediato. Os reajustes na bomba nos últimos três meses, são de 3,3%. De acordo com a estatal, aumento no preço médio acompanha “a elevação nos patamares internacionais de preços, e de forma a garantir que o mercado siga sendo suprido sem riscos de desabastecimento”.

A composição da gasolina vendida ao consumidor final é de 73% e de 27% de etanol anidro. Até chegar ao consumidor são acrescidos tributos federais e estaduais, custos para aquisição e mistura obrigatória de etanol anidro, além dos custos e margens das companhias distribuidoras e dos revendedores. Assim, os valores praticados nas refinarias pela Petrobras são diferentes dos percebidos pelo consumidor do varejo. Inclusive, é isso que o presidente Jair Bolsonaro utiliza para se defender sobre os custos do combustível, e creditando grande parte da alta ao ICMS, imposto estadual, que varia nas diferentes unidades da federação.

No ano, o valor da gasolina na refinaria subiu 51%. Já para o consumidor, de acordo com o IBGE, a alta é de 27,5% até julho, medido pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país. Segundo o Boletim Focus, divulgado na última segunda-feira, a inflação oficial deve ficar em 7,05% no final de 2021, muito acima do teto da meta, que é de 5,25% para este ano. Assim, o mercado estima aceleração contínua da Selic, a taxa básica de juros, utilizada para conter os preços e que, segundo os analistas, deve subir para 7,5% ao ano ao fim de 2021. Atualmente, a taxa está em 5,25%.

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