Em crise na Argentina, Flybondi tem vendas para voos no Brasil suspensas pela Anac
Agência já suspendeu a emissão de novas passagens para as rotas da companhia argentina para o Rio, Florianópolis, Maceió e Salvador
Frente ao aumento expressivo nas reclamações, à redução verificada nos serviços e às falhas nos registros das aeronaves, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) vem anunciando uma série de restrições às rotas operadas no Brasil pela Flybondi, companhia aérea argentina de baixo custo.
A escalada dos problemas acontece ao mesmo tempo em que a companhia, fundada em 2017, passa por diversas dificuldades em seu país de origem, com notícias de redução de frota, cancelamento frequente de voos e até um breve período em que suspendeu por completo as operações no país de origem, em julho, em meio a dificuldades em pagar pelo combustível das aeronaves.
Na noite da terça-feira, 11, a Anac anunciou a suspensão das vendas no Brasil de passagens para a rota entre Buenos Aires e o aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro (Galeão), oferecida pela empresa. Os bilhetes e voos já vendidos devem continuar operando, mas a comercialização de novos bilhetes não deverá ocorrer até que a companhia demonstre a regularização das falhas questionadas pela agência.
No fim de julho, a Anac já tinha imposto a mesma restrição, impedindo a abertura de novas vendas, para as rotas da companhia para Florianópolis, Maceió e Salvador, além de impedir a ampliação de sua malha aérea no país.
A rota para o Rio foi poupada à época, mas condicionada à demonstração de capacidade operacional para assegurar a prestação regular e contínua do serviço. As informações apresentadas, contudo, não foram consideradas suficientes pela Anac. VEJA procurou a Flybondi por meio de seus canais oficiais e aguarda retorno.
Falhas e alta nas reclamações
De acordo com a Anac, a operação da Flybondi tem sofrido com reduções e cancelamentos nos últimos meses. O número de voos oferecidos por ela passou de 576, em janeiro, para 50 em junho, informou a agência. Até 10 de agosto, estavam previstos quatro voos no mês, dos quais apenas dois foram realizados.
Além disso, as duas aeronaves que vinham sendo utilizadas nas operações para o Brasil no último mês estão sem registro de operação desde 6 de agosto.
As reclamações referentes à Flybondi também estão explodindo. Em dois meses, elas subiram de 214 para 350 na plataforma Anac Passageiro, um aumento de 64%. “Embora tenha sido observada melhora recente nos indicadores de solução e satisfação, os resultados permanecem significativamente inferiores aos verificados para o conjunto das demais empresas aéreas participantes da plataforma”, informou a Anac em nota.
Enquanto isso, na Argentina
Na Argentina, o noticiário local também é pouco favorável à companhia, que entrou no mercado há dez anos querendo ocupar o nicho de viagens de baixo custo na América do Sul. Atualmente, ela tem voos para o Brasil e o Paraguai, além de diversas rotas domésticas na Argentina.
Alto endividamento e cancelamentos de voo em massa estão entre os problemas reportados da companhia em seu país natal. Segundo dados da consultoria Adventus, 74% de todos os voos cancelados na Argentina no primeiro semestre eram da Flybondi, conforme informou uma reportagem do jornal argentino La Nacion. Em julho, a aérea chegou a ficar duas semanas sem tirar nenhuma de suas aeronaves do chão, enquanto tentava negociar os contratos de combustível com a YPF, a estatal argentina de petróleo e sua fornecedora.
No ano passado, a companhia trocou de comando e recebeu dinheiro de um fundo controlado por um aliado do presidente Javier Milei, com a promessa de resgatá-la da crise. O fundo Cartesian deixou de ser seu principal acionista e, no lugar, entrou a COC Global Enterprise, uma companhia de investimentos chefiada por Leonardo Satturice, empresário ligado a Milei e que anunciou que injetaria 1,7 bilhão de dólares para renovar a frota e reerguer a empresa, de acordo com a agência de notícias Bloomberg.
Os resultados, porém, ainda pouco aparecem. O avião mais novo da frota da empresa tem 15 anos, segundo a Bloomberg, e, nos últimos dois meses, só cinco de suas onze aeronaves saíram do chão para cumprir suas viagens.







