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Em crise na Argentina, Flybondi tem vendas para voos no Brasil suspensas pela Anac

Agência já suspendeu a emissão de novas passagens para as rotas da companhia argentina para o Rio, Florianópolis, Maceió e Salvador

Por Juliana Elias Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 ago 2026, 14h41 | Atualizado em 13 ago 2026, 12h08
Em crise na Argentina, Flybondi tem vendas para voos no Brasil suspensas pela Anac Priorizar nos meus resultados Google

Frente ao aumento expressivo nas reclamações, à redução verificada nos serviços e às falhas nos registros das aeronaves, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) vem anunciando uma série de restrições às rotas operadas no Brasil pela Flybondi, companhia aérea argentina de baixo custo.

A escalada dos problemas acontece ao mesmo tempo em que a companhia, fundada em 2017, passa por diversas dificuldades em seu país de origem, com notícias de redução de frota, cancelamento frequente de voos e até um breve período em que suspendeu por completo as operações no país de origem, em julho, em meio a dificuldades em pagar pelo combustível das aeronaves.

Na noite da terça-feira, 11, a Anac anunciou a suspensão das vendas no Brasil de passagens para a rota entre Buenos Aires e o aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro (Galeão), oferecida pela empresa. Os bilhetes e voos já vendidos devem continuar operando, mas a comercialização de novos bilhetes não deverá ocorrer até que a companhia demonstre a regularização das falhas questionadas pela agência.

No fim de julho, a Anac já tinha imposto a mesma restrição, impedindo a abertura de novas vendas, para as rotas da companhia para Florianópolis, Maceió e Salvador, além de impedir a ampliação de sua malha aérea no país.

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A rota para o Rio foi poupada à época, mas condicionada à demonstração de capacidade operacional para assegurar a prestação regular e contínua do serviço. As informações apresentadas, contudo, não foram consideradas suficientes pela Anac. VEJA procurou a Flybondi por meio de seus canais oficiais e aguarda retorno.

Falhas e alta nas reclamações 

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De acordo com a Anac, a operação da Flybondi tem sofrido com reduções e cancelamentos nos últimos meses. O número de voos oferecidos por ela passou de 576, em janeiro, para 50 em junho, informou a agência. Até 10 de agosto, estavam previstos quatro voos no mês, dos quais apenas dois foram realizados.

Além disso, as duas aeronaves que vinham sendo utilizadas nas operações para o Brasil no último mês estão sem registro de operação desde 6 de agosto.

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As reclamações referentes à Flybondi também estão explodindo. Em dois meses, elas subiram de 214 para 350 na plataforma Anac Passageiro, um aumento de 64%. “Embora tenha sido observada melhora recente nos indicadores de solução e satisfação, os resultados permanecem significativamente inferiores aos verificados para o conjunto das demais empresas aéreas participantes da plataforma”, informou a Anac em nota.

Enquanto isso, na Argentina

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Na Argentina, o noticiário local também é pouco favorável à companhia, que entrou no mercado há dez anos querendo ocupar o nicho de viagens de baixo custo na América do Sul. Atualmente, ela tem voos para o Brasil e o Paraguai, além de diversas rotas domésticas na Argentina.

Alto endividamento e cancelamentos de voo em massa estão entre os problemas reportados da companhia em seu país natal. Segundo dados da consultoria Adventus, 74% de todos os voos cancelados na Argentina no primeiro semestre eram da Flybondi, conforme informou uma reportagem do jornal argentino La Nacion. Em julho, a aérea chegou a ficar duas semanas sem tirar nenhuma de suas aeronaves do chão, enquanto tentava negociar os contratos de combustível com a YPF, a estatal argentina de petróleo e sua fornecedora.

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No ano passado, a companhia trocou de comando e recebeu dinheiro de um fundo controlado por um aliado do presidente Javier Milei, com a promessa de resgatá-la da crise. O fundo Cartesian deixou de ser seu principal acionista e, no lugar, entrou a COC Global Enterprise, uma companhia de investimentos chefiada por Leonardo Satturice, empresário ligado a Milei e que anunciou que injetaria 1,7 bilhão de dólares para renovar a frota e reerguer a empresa, de acordo com a agência de notícias Bloomberg.

Os resultados, porém, ainda pouco aparecem. O avião mais novo da frota da empresa tem 15 anos, segundo a Bloomberg, e, nos últimos dois meses, só cinco de suas onze aeronaves saíram do chão para cumprir suas viagens.

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