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Em busca de acordo, Obama se reunirá com líderes do Congresso

Em encontro no final da tarde, presidente pedirá que parlamentares reabram o governo e aprovem o aumento do teto da dívida

O presidente dos EUA, Barack Obama, vai se reunir com os quatro dos principais líderes do Congresso na Casa Branca nesta quarta-feira para pedir aos parlamentares que reabram o governo e elevem o limite de endividamento do país. O democrata tem reunião agendada às 18h30 (horário de Brasília) com o presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner, a líder democrata na Casa, Nancy Pelosi, o líder da maioria no Senado, Harry Reid, e o líder republicano no Senado, Mitch McConnell. O presidente vai pedir à Câmara que aprove uma lei “limpa” para reabrir o governo, segundo afirmou.

O gabinete de Boehner informou que a reunião deve ser o começo de conversações sérias para resolver diferenças que levaram à paralisação das agências do governo.

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Na terça-feira, o governo dos EUA deu início a uma paralisação parcial de suas atividades devido à falta de recursos para cobrir gastos federais. O ano fiscal 2012-2013 se encerrou na segunda-feira e Câmara e Senado não chegaram a um acordo sobre uma nova peça orçamentária. Com isso, o governo decidiu priorizar algumas atividades para poupar os escassos recursos e paralisou aquelas consideradas “não essenciais”. (Veja lista de atrações fechadas ao público)

Não se sabe ao certo quais serão os reais impactos dessa paralisação das atividades no país, já que isso também dependeria do tempo de sua duração. Contudo, o presidente Obama tem dirigido duras críticas ao Congresso, especialmente aos republicanos, pelos danos que o impasse pode trazer à economia americana, que ainda ensaia uma recuperação após a crise financeira de 2008. Em reportagem desta quinta-feira, o jornal O Estado de S. Paulo cita dados do Peterson Institute, que prevê uma redução de 0,15% no Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no quarto trimestre devido ao quadro.

Contexto – Diversos setores do governo americano precisam de financiamento anual para continuar operando. Por essa razão, a cada ano, o Congresso deve votar um projeto de orçamento estabelecendo prioridades e o valor de financiamento a ser liberado. Contudo, com o Senado dominado pelos democratas e a Câmara dos Representantes, pelos republicanos, um impasse tem se tornado constante na hora de definir o orçamento.

Mecanismos foram criados para permitir, de forma automática, que o orçamento para financiar tais setores fosse ampliado ao longo do ano. O último mecanismo possível, porém, foi encerrado em 30 de setembro. Assim, como democratas e republicanos não chegaram a um acordo, faltam recursos para financiar o governo até o final de 2013.

Na disputa entre republicanos e democratas, a grande moeda de troca é o Obamacare, o plano de saúde criado pelo governo de Barack Obama. O plano foi aprovado há cerca de três anos e sua entrada em vigor estava prevista para outubro. Contudo, os republicanos, em troca da aprovação do financiamento emergencial do estado, querem vetar determinados pontos do Obamacare, por meio de emendas ao plano orçamentário.

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Tais mudanças não são admitidas pelo Senado, de maioria democrata. E aí se dá o impasse: republicanos da ala mais conservadora, o chamado Tea Party, querem usar a paralisação do estado como artifício para pressionar os democratas a postergarem ainda mais a implantação do Obamacare.

Teto da dívida – O Congresso deve votar, além disso, um aumento do limite legal do endividamento do país, atualmente em 16,7 trilhões de dólares, sem o qual os EUA se arriscam à primeira moratória de sua história a partir de 17 de outubro. Esse também é um ponto de desentendimento entre os partidos americanos: republicanos dizem que só aprovarão o aumento do limite de endividamento do país se os democratas atenderem a uma série de exigências incluem o adiamento do Obamacare em um ano, uma revisão tributária e o recuo em regulamentações de meio ambiente.

Visita cancelada – O impasse fiscal fez com que Obama anunciasse nesta quarta o cancelamento de parte de uma viagem planejada para a Ásia. O presidente dos EUA desistiu de visitas à Malásia e às Filipinas e ainda está tomando decisões sobre a participação em cúpulas diplomáticas programadas na Indonésia e em Brunei. Obama deveria partir dos Estados Unidos no sábado e voltar uma semana depois.

(com agência Reuters)