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Em ata, Fed pede melhora do emprego antes de reduzir estímulos

Banco central americano planeja suavizar o programa de compra de títulos do tesouro, mas aguarda dados mais concretos sobre a recuperação da economia americana

Por Da Redação 10 jul 2013, 15h39

Embora tenha aumentado o consenso dentro do banco central dos Estados Unidos sobre a provável necessidade de começar a reduzir as medidas de estímulo econômico, muitos membros querem mais garantias de que a recuperação do emprego está sólida antes de iniciar a desaceleração das compras de ativos. A informação consta na ata da reunião de junho do Federal Reserve, o banco central americano, divulgada na tarde desta quarta-feira.

Os mercados financeiros aguardam para setembro a data do provável início da redução no ritmo de compras mensais de títulos no valor de 85 bilhões de dólares, mas a ata sugere que essa pode não ser uma aposta certa. “Vários membros julgaram que uma redução nas compras de ativos será em breve justificada”, mostrou a ata. Mas acrescentou que “muitos membros indicaram que uma melhora maior no cenário do mercado de trabalho será necessária antes que seja apropriado desacelerar o ritmo de compras de ativos.”

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Investidores ainda se recuperam de um rápido surto de pânico nos mercados que se seguiu às indicações do chairman do Fed, Ben Bernanke, sobre o fim do chamado quantitative easing (ou afrouxamento quantitativo), que segundo ele será provavelmente encerrado até meados do próximo ano. Esse movimento consiste na compra maciça de títulos da dívida americana pelo Fed como forma de injetar dinheiro na economia. Com a possibilidade de fim da medida, os juros futuros pagos sobre os títulos do tesouro americano dispararam.

Os temores do mercado financeiro se aliviaram depois que autoridades do Fed saíram em coro para garantir ao mercado que o fim das compras de ativos não significaria, necessariamente, o aumento dos juros. “Muitos membros indicaram que as decisões sobre o ritmo e composição das compras de ativos são distintos das decisões sobre o nível apropriado da taxa de juros”, disse a ata.

Se os mercados entenderam a mensagem, não está totalmente claro; o rendimento sobre o Treasury de 10 anos dos Estados Unidos subiu um ponto porcentual em apenas dois meses e está perto de seu maior nível desde 2011. Isso já desacelerou a atividade no mercado hipotecário, que vinha sendo decisivo para a recente recuperação econômica.

Na reunião de junho, algumas autoridades do Fed mostraram preocupação não apenas com o cenário de emprego, mas com o ritmo de crescimento econômico também. Muitos economistas acreditam que a economia cresceu menos de 1% no segundo trimestre na base anual, embora muitos esperem uma recuperação no segundo semestre do ano. “Alguns (membros) acrescentaram que precisariam ver mais evidências de que a aceleração projetada na atividade econômica vai ocorrer, antes de reduzir o ritmo das compras de ativos”, mostrou a ata.

Entre os membros do Fed que argumentaram que seria sábio reduzir as compras em breve, dois acharam que isso deveria ser feito “para impedir que as potenciais consequências negativas do programa superem seus benefícios esperados”.

(Com Reuters)

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