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Em 2018, inflação estava baixa e teve pico após greve dos caminhoneiros

Paralisação no governo Temer teve efeito no IPCA e principalmente no PIB; hoje, condições econômicas são bem piores

Por Larissa Quintino Atualizado em 9 set 2021, 21h46 - Publicado em 9 set 2021, 08h47

Os dez dias da greve os caminhoneiros em 2018, entre o fim de maio e começo de junho, tiveram efeito dominó na atividade econômica do país. A inflação, que estava baixa pela lentidão das atividades econômicas, teve um pico logo após as manifestações, passando de 0,4% para 1,26% em junho, e um efeito de cerca de 1 ponto no crescimento do país. As condições econômicas na época eram bem melhores que hoje, em que há uma nova paralisação em curso. Antes da greve de 2018, a inflação acumulada em 12 meses era de 2,85% e encerrou o ano em 3,75%. Agora, no acumulado até agosto de 2021, está em 9,68% e o PIB tenta se recuperar de um tombo de mais de 4% em 2020.

A grande preocupação com o bloqueio de estradas é que ele pode causar uma quebra na cadeia de abastecimento e isso tem efeito na oferta. Com menos produto, os preços ficam mais caros. O efeito em uma inflação que já está muito acima do teto da meta é uma pressão ainda maior dos preços e na taxa de juros, encarecimento do crédito e consequência direta no crescimento. A inflação, uma das maiores vilãs para a popularidade do presidente Jair Bolsonaro, foi usada por ele para pedir que os caminhoneiros que paralisam estradas, liberassem o trânsito.

O áudio, no entanto, parece não ter sensibilizado os manifestantes. Segundo o Ministério da Infraestrutura, haviam bloqueios em 15 estados na manhã desta quinta-feira, um estado a menos que na madrugada, quando o pedido do presidente circulou pelo grupo de caminhoeiros. Em Santa Catarina, estado com mais pontos de manifestação, houve corrida a postos de combustíveis e mercados, com medo do desabastecimento que pode ocorrer.

As paralisações começaram na quarta-feira, um dia após os atos antidemocráticos que tiveram a participação do presidente e de seus apoiadores. A reivindicação dos caminhoneiros que paralisam estradas no país é a destituição de ministros do Supremo Tribunal Federal, em especial de Alexandre de Moraes.

Preocupação

A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística – NTC&Logística repudia a paralisação dos caminhoneiros, afirmando que o movimento é político e “dissociado até mesmo das bandeiras e reivindicações da própria categoria”. A entidade demonstra preocupação sobre os efeitos que os bloqueios podem causar na atividade dos transportes “com graves consequências para o abastecimento de estabelecimentos de produção e comércio, atingindo diretamente o consumidor final”. 

Questionada sobre efeitos no abastecimento à população, a Abras, associação dos supermercados, afirmou na noite de quarta-feira, que monitorava a manifestação nas estradas e que o movimento não estava “ganhando força”. Os principais pontos de paralisação são em estradas federais.

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