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Em 2012, um jornalista foi assassinado a cada cinco dias, diz ONG

Tunísia, 3 mai (EFE).- A ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF) denunciou nesta quinta-feira, no dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que um jornalista foi assassinado a cada cinco dias neste ano.

‘Desde o início do ano, 21 jornalistas e seis blogueiros perderam a vida, sobretudo em zonas de conflito como Síria e Somália’, informou a ONG em comunicado divulgado na Tunísia, local eleito neste ano pela Unesco para celebrar a data internacional.

Na nota oficial, a organização criticou os líderes que, segundo a ONG, atuaram como ‘predadores da imprensa’, e destacou o presidente sírio Bashar al Assad e as milícias somalis como ‘verdadeiros açougueiros’. A ONG listou 41 organizações e dirigentes ‘hostis’ à liberdade de imprensa.

Apesar de terem sido derrubados vários ‘predadores’ em 2011, como Muammar Kadafi na Líbia ou Ali Abdullah Saleh, no Iêmen, a lista de inimigos da liberdade de imprensa elaborada pela RSF reuniu seis novos membros.

O grupo islamita da Nigéria, Boko Haram, a Junta Militar que governa o Egito, o ministro da Informação da Somália, Abdulkadir Hussein Mohamed, e o dirigente da região de Nakhjichevan no Azerbaijão, Vasif Talibov, são alguns dos novos integrantes. Além disso, os serviços de inteligência do Paquistão e o novo líder da Coreia do Norte, Kim Jong-um, foram incluídos.

Os jornalistas independentes e não profissionais conhecidos como ‘jornalistas cidadãos’ foram homenageados no comunicado. Além disso, o trabalho dos fotógrafos e cinegrafistas foi destacado como os principais alvos dos regimes por causa do potencial evocativo das imagens.

A associação pediu a reflexão por parte da imprensa sobre a proteção de seus trabalhadores, colaboradores e fontes, e aos estados que cumpram com suas obrigações legais respeito da amparo aos jornalistas. A nota ainda solicitou a revisão dos estatutos do Tribunal Penal Internacional de Haia, para introduzir uma categoria que inclua jornalistas civis, cujo trabalho de destaque em muitos conflitos, como na Síria.

Por Causa do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, a Unesco elegeu a Tunísia a sede das revoltas populares árabes que explodiram em 2011, para celebrar a data com uma série de conferências e atos que seguirão durante três dias. EFE