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Em 1ª reunião do ano, Copom escolhe entre inflação ou PIB

Mercado aposta na manutenção da Selic. Comunicado do BC deve indicar se o governo continuará optando por priorizar o crescimento e tolerar inflação alta - ou se haverá mudança de direção

A manutenção da taxa básica de juros (a Selic) em 7,25% é aposta quase unânime dos analistas de mercado para a reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), que termina na noite desta quarta-feira. Raras são as vozes que creem em uma decisão de corte – e não há quem acredite no aumento dos juros na primeira reunião do comitê em 2013. Contudo, não está descartada a ideia de que o BC possa elucidar, em seu comunicado, se priorizará o Produto Interno Bruto (PIB) ou a inflação nas decisões futuras, que devem ocorrer a partir de março.

Até o momento, a escolha pelo PIB tem sido clara. Ao longo dos últimos dois anos, o governo lançou mão de excessiva leniência para chancelar índices de inflação acima da meta ante a expectativa de ver a economia deslanchar. Em 2011, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou em alta de 6,5% – no teto da meta de inflação admitida pelo BC. À época, o presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, garantiu que a convergência do índice para o centro da meta (de 4,5%) era questão de tempo. Mas esse tempo não veio. Em 2012, o IPCA cravou alta de 5,84%. Já o PIB cresceu míseros 2,7% em 2011 e deverá avançar algo em torno de 1% em 2012.

Por essa razão a reunião será emblemática. Além da inflação, o BC já tem em mãos dados relevantes sobre a atividade econômica, como o IBC-Br de novembro, considerado a prévia do PIB. Divulgado na manhã desta quarta-feira, o indicador apontou crescimento de 0,4% da economia em novembro de 2012 ante o mês anterior. Será, portanto, uma questão de escolha. Diante de uma inflação que reluta em ceder e um PIB incapaz de subir, há quem acredite que a decisão do Copom poderá descortinar um possível novo ciclo de alta da Selic. “Assumimos alguma probabilidade de que o Copom possa mexer com as expectativas futuras reconhecendo, de alguma maneira, que a dinâmica inflacionária tem sido mais rígida que o previsto”, afirma o analista do Goldman Sachs, Alberto Ramos, em relatório divulgado na noite de terça-feira.

Após a divulgação do IPCA de 2012, na última sexta-feira, Tombini admitiu a resistência da inflação em ceder. O discurso é um pouco distinto do que vinha sendo adotado nos últimos meses: o manjado mantra de que o índice estaria convergindo para o centro da meta. Contudo, a leve mudança de tom ainda não é indício forte o suficiente de que o BC esteja acordando para a realidade. “Até certo ponto, o BC precisa assumir o problema da inflação e reconhecer que apenas manter a política monetária no piloto automático pode não ser o suficiente para trazer o índice em direção ao centro da meta”, afirma Ramos.

Os bancos Bradesco e Itaú Unibanco também divulgaram relatórios apostando na manutenção da Selic. Contudo, suas perspectivas são um pouco menos favoráveis no que se refere ao controle inflacionário. Os analistas das instituições acreditam que a tendência é que o BC ignore o repique inflacionário e corte ainda mais os juros ao longo do semestre. “A atividade econômica continua fraca, o que, na nossa avaliação, levará o Copom a reduzir a Selic novamente nos próximos seis meses”, informou o Itaú Unibanco.

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“Novo centro informal” – As apostas para os próximos meses, contudo, são divergentes. Na pesquisa semanal feita pelo Banco Central, o Boletim Focus, a estimativa do mercado para a Selic é de que ela permaneça inalterada ao longo de todo o ano, com previsão de alta (para 8,25%) apenas em 2014. O mais preocupante, contudo, é que esse cenário para os juros ocorre em meio a um ambiente de alta inflacionária. O mercado crê – tendo o Focus como base – que o IPCA pouco cederá em 2013, ficando em 5,5% e que o BC fechará os olhos para isso, já que a expectativa da maioria é de que manterá os juros intactos. Em 2014, a previsão de inflação é a mesma, ainda que com ligeira alta da Selic.

Com isso, cristaliza-se a mensagem de que os dois pontos porcentuais tolerados acima do centro da meta de inflação, que é de 4,5%, tiveram seu sentido modificado. Se antes serviam como espaço limite para alguma situação de emergência, como o choque de preços no mercado internacional, atualmente são levados com tranquilidade como “novo centro informal” do regime de metas de inflação – algo parecido ao que o BC tem feito com a taxa de câmbio a 2,10 reais, porém, mais perigoso.