Elon Musk construiu parte de sua fortuna acelerando a transição dos carros movidos a combustíveis fósseis para veículos elétricos.
Agora, a corrida pela inteligência artificial está levando o empresário a depender cada vez mais de gás natural.
Continua após a publicidade
A SpaceX, que incorporou a xAI ao seu negócio, planeja construir uma usina a gás natural para fornecer eletricidade ao Terafab, complexo de fabricação de chips que Musk está desenvolvendo no Texas.
O projeto, anunciado com investimento inicial de US$ 16,8 bilhões, será usado para produzir chips para os sistemas de inteligência artificial, robôs e veículos autônomos de Musk.
A decisão é consequência direta da escala dos planos do empresário para a IA.
Continua após a publicidade
Musk afirmou recentemente que a capacidade de seus data centers, hoje próxima de 2 gigawatts, pode chegar a 10 gigawatts até o fim de 2027 e eventualmente alcançar 15 gigawatts. Isso colocaria sua operação entre as maiores consumidoras de eletricidade dos Estados Unidos.
A estratégia é evitar a espera pela rede elétrica. Grandes data centers podem levar anos para conseguir uma conexão capaz de atender sua demanda. Ao instalar turbinas no próprio terreno, Musk consegue produzir energia imediatamente.
Foi o que aconteceu em Memphis, onde a xAI instalou dezenas de turbinas a gás para acelerar a construção do Colossus, seu principal data center.
Continua após a publicidade
A operação permitiu colocar a primeira unidade em funcionamento em cerca de quatro meses, mas provocou conflitos com moradores e grupos ambientais por causa das emissões atmosféricas.
No Mississippi, a segunda expansão do Colossus também utiliza geração própria a gás. A operação tornou Musk um dos maiores exemplos de uma tendência que começa a se espalhar entre empresas de tecnologia: construir data centers e usinas elétricas lado a lado.
A mudança é particularmente simbólica no caso do empresário.
Continua após a publicidade
A Tesla ajudou a transformar o carro elétrico em produto de massa e durante anos Musk se apresentou como um dos principais defensores da substituição dos combustíveis fósseis. A companhia tinha como missão acelerar a transição para uma matriz energética sustentável.
Agora, porém, o principal gargalo para seus novos negócios não são baterias ou carros, mas eletricidade suficiente para alimentar a IA.
A alternativa mais rápida encontrada pela SpaceX é justamente um combustível fóssil.
Continua após a publicidade
Musk quer controlar toda a cadeia da IA
O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla. Musk tenta construir uma estrutura integrada que envolva chips, data centers, energia e modelos de inteligência artificial.
O Terafab representa a tentativa de reduzir a dependência de fornecedores externos de semicondutores. A geração própria de energia resolve outro gargalo: garantir eletricidade para os data centers sem esperar anos pela expansão da rede.
A aposta já rendeu contratos importantes. A SpaceX fechou acordos de computação em nuvem com empresas como Google e Anthropic, que utilizam a infraestrutura de Musk para seus próprios sistemas de IA.
E Musk também comprou uma fabricante de turbinas a gás e diesel em uma operação avaliada em cerca de US$ 1 bilhão, segundo documentos regulatórios.
A ironia é que o empresário que fez da eletrificação dos transportes um dos maiores negócios da última década agora está ajudando a criar uma infraestrutura de IA dependente de gás.
A explicação está na velocidade: o gás é, hoje, uma das formas mais rápidas de colocar grandes volumes de eletricidade em operação.