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Eleitores irlandeses prontos para aprovar pacto europeu em referendo

A Irlanda vota nesta quinta-feira o referendo sobre o tratado fiscal da União Europeia (UE), destinado a reforçar a fragilizada moeda única, com as pesquisas indicando a aprovação do pacto pela maioria da população.

Este é o único referendo esperado sobre o pacto fiscal, que já foi assinado por todos os 27 membros da UE (exceto Grã-Bretanha e República Checa), mas que foi ratificada por poucos.

A votação teve início às 7H00 local (6H00 GMT; 3H00 de Brasília), mas uma forte chuva desencorajava os eleitores no início da sessão. A votação será encerrada às 22H00 (local), mas o resultado só deve ser divulgado na sexta-feira.

A decisão irlandesa está sendo acompanha de perto pela Europa, pois teme-se que uma eventual rejeição o pacto – uma medida alemã que penaliza os países que não conseguirem manter seus gastos sob controle – poderia incentivar uma crescente reação europeia contra medidas de austeridade.

Um “não” irlandês, contudo, não inviabilizaria o tratado, pois ele precisa ser ratificado por apenas 12 países para entrar em vigor, sendo que quatro já o fizeram, mas pode gerar conseqüências terríveis para a Irlanda.

As pesquisas de opinião, no entanto, sugerem que 60% dos eleitores irlandeses pretende apoiar o tratado.

A mensagem da campanha pelo “sim” foi estimulada pelo fato de que uma vitória do não iria excluir a Irlanda de fundos de emergência da UE, sendo que seu pacote de resgate atual expira em 2013.

O governo irlandês alertou que só seria capaz de garantir a ajuda financeira do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), o fundo de resgate permanente que entra em vigor em julho, se os eleitores aprovarem o tratado.

Dezoito meses atrás, a Irlanda foi forçada a pedir uma ajuda de 85 bilhões de euros (106 bilhões de dólares) a UE e ao FMI, depois que sua economia quase quebrou. Segundo os ministros, o país pode precisar de mais ajuda para não quebrar de fato.

O governo também alertou a população de que um voto pelo “não” afetaria a classificação de risco do país, tornado empréstimos no mercado mais difíceis de serem realizados.

Finbar McDonnell, que trabalha no setor imobiliário, disse que votou pelo “sim”.

“Acho que o tratado irá limitar nossos déficits no futuro”, disse ele à AFP. “Também acredito que um forte “sim” mandaria um sinal para a Europa de que a Irlanda quer fazer parte do coração da Europa e que está direcionada a uma maior integração, diferentemente da Grã-Bretanha”, completou.

Os críticos ao pacto europeu na Irlanda o classificam como um “tratado de austeridade”, que beneficia os países que mais gastam.

“Sabemos que a austeridade não funciona e é isso que cada vez mais as pessoas estão dizendo na Europa continental”, disse na quarta-feira Gerry Adams, líder do Sinn Féin, o principal partido da oposição ao pacto.