ASSINE VEJA NEGÓCIOS

El Niño e mudanças climáticas são ‘como jogar gasolina no fogo’, alerta climatologista

Fenômeno natural encontra um planeta mais quente e amplia os extremos

Por Veruska Costa Donato 30 jun 2026, 15h14 | Atualizado em 1 jul 2026, 13h22
El Niño e mudanças climáticas são ‘como jogar gasolina no fogo’, alerta climatologista Priorizar nos meus resultados Google

As ondas de calorão na Europa trouxeram uma dúvida comum sempre que o clima bate recordes: afinal, o El Niño é consequência das mudanças climáticas? A resposta é não. O fenômeno existe há centenas de anos e faz parte da dinâmica natural do planeta.

O que mudou foi o cenário em que ele acontece. Hoje, o El Niño atua em um mundo mais quente e, por isso, seus impactos se tornam muito mais intensos.

França, Alemanha e Reino Unido sentem mais

O assunto ganhou força depois que países como França, Alemanha e Reino Unido registraram temperaturas superiores a 40°C. Na França, os termômetros chegaram a 44,3°C, a maior marca desde 1947, enquanto milhares de pessoas precisaram de atendimento médico em razão do calor extremo.

Asfalto derretido na Alemanha

Na Alemanha, o asfalto chegou a ceder em algumas cidades, comprometendo ruas e até o funcionamento do transporte público. Para os cientistas, esses episódios são mais um sinal de que os eventos extremos deixaram de ser exceção.

El niño é fenômeno natural que sofre influência das mudanças climáticas

José Marengo, coordenador de pesquisa do CEMADEN (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), explica que o El Niño continua sendo um fenômeno natural, provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. “Há registros de centenas de anos, sem interferência humana”, lembra.

A diferença é que, nas últimas décadas, esse aquecimento passou a ocorrer sobre um “pano de fundo de aquecimento global”, resultado da elevação da temperatura média do planeta causada pelas emissões de gases de efeito estufa.

Continua após a publicidade

Combinação que piora as condições do Planeta

É justamente essa combinação que faz toda a diferença. Segundo Marengo, o El Niño não cria ondas de calor, secas ou chuvas intensas. Esses eventos fazem parte da variabilidade natural do clima.

O fenômeno, porém, funciona como um amplificador. Quando encontra uma atmosfera mais quente, com maior quantidade de vapor d’água, os extremos se tornam mais intensos e frequentes.

‘É como colocar gasolina no fogo’

Para explicar esse mecanismo, o pesquisador recorre a uma comparação bastante didática: é “como colocar gasolina no fogo”. O incêndio já existe, mas ganha força e se espalha com muito mais facilidade.

Na prática, isso significa que um aquecimento de 1 grau nas águas do Pacífico hoje produz efeitos muito mais severos do que produzia há cinco décadas. Não porque o oceano esteja necessariamente mais quente do que antes, mas porque toda a atmosfera do planeta também aqueceu.

Continua após a publicidade

Maior intensidade

Esse novo contexto aumenta a intensidade das ondas de calor, favorece chuvas concentradas em algumas regiões, prolonga períodos de seca em outras e eleva o risco de incêndios florestais. “O El Niño aparece como um jogador para piorar isso, para fazer o clima mais extremo”, resume Marengo.

Agro sofre mais

Os reflexos não ficam restritos ao meio ambiente. A agricultura costuma ser uma das primeiras atividades a sentir os efeitos da combinação entre calor intenso e irregularidade das chuvas.

Safras podem perder produtividade, enquanto tempestades e deslizamentos dificultam o transporte da produção.

Resultados aparecem no bolso

O resultado aparece no bolso do consumidor, com alimentos mais caros, e também no setor de energia, já que períodos prolongados de seca podem exigir maior uso de usinas termelétricas, elevando custos e pressionando a inflação.

Continua após a publicidade

Prevenção, alerta e prevenção

Para Marengo, a principal resposta continua sendo a prevenção. Monitorar o clima, preparar estados e municípios para enfrentar eventos extremos e incorporar as informações científicas ao planejamento das políticas públicas são medidas cada vez mais necessárias.

O alerta é claro: o El Niño continuará sendo um fenômeno natural, mas seus impactos tendem a crescer enquanto o planeta continuar aquecendo. Em outras palavras, a pergunta já não é mais se haverá novos extremos climáticos, mas o quanto a sociedade estará preparada para conviver com eles.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos. Ao lado, um ícone de árvore verde-claraMão segurando um smartphone com tela exibindo um aplicativo de notícias e produtos. À esquerda, texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. Fundo verde escuro com ícone de árvore à direita
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).