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El Niño acende alerta para caixa de agroindústrias na safra 2026/27

Fenômeno climático pode reduzir oferta de matéria-prima, atrasar entregas e elevar necessidade de capital de giro

Por Felipe Erlich Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 ago 2026, 15h23 | Atualizado em 21 ago 2026, 11h30
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O avanço do El Niño previsto para o segundo semestre de 2026 pode provocar impactos que vão além da produção agrícola e chegar ao caixa das agroindústrias durante a safra 2026/27. Segundo análise da Multiplike, conglomerado financeiro especializado em crédito estruturado, um episódio de intensidade muito forte pode reduzir em até 10% a produção brasileira de grãos.

Como referência, a estimativa de cerca de 320 milhões de toneladas de soja e milho para a safra significa que uma redução de 10% corresponderia a aproximadamente 32 milhões de toneladas. O número, porém, representa um cenário de risco, e não uma previsão de perdas.

Os efeitos do fenômeno também tendem a variar de acordo com a região. Historicamente, o El Niño está associado à redução das chuvas em áreas do Norte e Nordeste e ao aumento das precipitações no Sul. No centro-norte do país, a combinação de deficiência hídrica e temperaturas elevadas pode prejudicar o desenvolvimento das culturas. No Sul, o excesso de chuva pode aumentar o risco de encharcamento do solo, doenças, dificuldades para a operação de máquinas e atrasos na colheita e no escoamento.

Para as agroindústrias, uma produção menor ou uma colheita atrasada pode alterar o volume e o momento de chegada da matéria-prima. Isso pode exigir mudanças nas compras, nos estoques, nos contratos e nas entregas, além de pressionar a necessidade de capital de giro.

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“O choque começa na produção, mas não termina no campo. Se uma agroindústria recebe menos matéria-prima, recebe mais tarde ou precisa buscar produto em outra região, isso muda o fluxo financeiro da operação”, diz Priscila de Freitas, diretora de crédito da Multiplike. Segundo ela, o desafio é preservar caixa para lidar com essas mudanças sem comprometer fornecedores, estoques e compromissos já assumidos.

O risco climático chega ainda em um momento de maior pressão financeira sobre parte da cadeia do agronegócio. O aumento do endividamento, das renegociações e das recuperações judiciais entre produtores tem levado instituições financeiras a adotar critérios mais rigorosos na concessão de crédito.

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Nesse cenário, uma eventual redução ou atraso na oferta de grãos pode afetar os fluxos de recebimento e pagamento de diferentes elos da cadeia. Empresas compradoras, armazenadoras, processadoras e distribuidoras precisam manter suas obrigações mesmo diante de uma oferta mais irregular, o que pode criar um descasamento entre a chegada da matéria-prima, a geração de receita e a necessidade de caixa.

Para a executiva, a antecipação do planejamento financeiro ganha importância diante da possibilidade de um El Niño forte. “Esperar o impacto aparecer no estoque ou no recebível para buscar capital reduz a margem de reação da empresa”, diz.

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As empresas precisam considerar, nos seus planejamentos, cenários em que a matéria-prima chegue em menor volume, mais tarde ou a um custo diferente do inicialmente previsto. Entre as alternativas de crédito estão estruturas de garantias que podem combinar imóveis, recebíveis, contratos de venda, estoques e outros ativos.

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