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Eike sabia que OGX não tinha o óleo prometido, mostra livro

Livro de Malu Gaspar, jornalista de VEJA, conta que empresário foi informado que projeções eram enganadoras, mas ignorou os avisos

Por Da Redação 18 nov 2014, 09h32

O ex-bilionário Eike Batista sabia que os poços da OGX não tinham o petróleo que ele alardeava ao mercado. Foi alertado a respeito pela própria consultoria a quem cabia aferir as reservas da petroleira, mas ignorou os avisos e continuou fazendo projeções que, segundo a certificadora DeGolyer & MacNaughton, a D&M, eram “enganadoras”. A informação, ancorada em documentos, está no recém-lançado Tudo ou Nada – Eike Batista e a verdadeira história do grupo X, livro escrito pela jornalista de VEJA Malu Gaspar.

O fato de ela ter vindo à tona agora pode complicar a vida do ex-bilionário no julgamento que começa hoje na Justiça Federal do Rio de Janeiro, uma vez que ela deve ser aproveitada pelo Ministério Público Federal (MPF). Eike é acusado pelo MP dos crimes de insider trading e manipulação de mercado.

As penas previstas para o primeiro podem chegar a cinco anos de prisão e as do segundo podem chegar a oito anos. Nos dois casos estão previstas multas de até três vezes a vantagem obtida. A principal linha de defesa de Eike consiste em afirmar que ele foi tão enganado quanto os outros acionistas e não sabia que a OGX não tinha o óleo prometido aos investidores.

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Em abril de 2011, a OGX divulgou ao mercado ter 10,8 bilhões de barris de petróleo em recursos potenciais de petróleo. Na época, a empresa alegava ter obtido esse número com a própria D&M. Mas, segundo uma troca de correspondências exibida no livro, assim que o dado foi divulgado, a consultoria americana exigiu de Eike uma retratação formal. Assinada pelo presidente da certificadora, o executivo John Wallace, a carta dizia que Eike manipulara os números de forma errada, divulgando dados “enganadores”, e exigia que ele se corrigisse publicamente.

“A D&M nunca fez nenhuma estimativa de recursos equivalente a 10,8 bilhões de barris para a OGX”, diz o documento incluído no livro. Depois de receber a carta, Eike concordou em receber os americanos no Rio de Janeiro para acalmá-los. No encontro, que aconteceu em 16 de maio de 2011, o ex-bilionário assumiu a responsabilidade pela divulgação dos números e pediu desculpas, mas não mudou de conduta.

O livro mostra ainda que a D&M voltou à carga dois anos depois, em julho de 2013. A OGX havia anunciado a suspensão da produção em seus principais campos, e o empresário publicou um artigo em jornais de circulação nacional para se defender. De novo, afirmou que fizera suas projeções baseado num relatório da D&M. Disse Eike à época: “De acordo com um relatório divulgado em 2011, auditado por empresas independentes de renome internacional, a OGX possuiria recursos aproximados de 10,8 bilhões de barris de petróleo equivalente (incluídos recursos contingenciais e prospectivos).”

Mais uma vez, os americanos exigiram que Eike se retratasse – o que foi feito de forma cifrada e tímida, num comunicado colocado em seu site pela diretoria da OGX. Guardado até agora, o documento vem à tona em um momento crítico para a carreira empresarial de Eike – e deve ser transformado em arma para a acusação.

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