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Eike recorre a fundos ‘abutres’ para tentar salvar OGX

Para tentar fugir da falência, empresário tem buscando investidores especializados em financiar processos de recuperação judicial

Por Da Redação 3 out 2013, 12h59

Investidores especializados em financiar processos de recuperação de companhias à beira da falência são o alvo da OGX para tentar, ainda este ano, submergir do abismo em que se encontra. Na próxima semana, integrantes da cúpula da companhia de Eike Batista retornam a Nova York para mais uma rodada com eventuais interessados. Na semana passada, as conversas nos Estados Unidos envolveram cinco representantes de empresas do tipo, como fundos de private equity.

A eles a companhia de Eike oferece parceria em troca de lotes de capital que possam acumular o montante de 400 milhões de dólares, mínimo necessário para o desenvolvimento do campo de Tubarão Martelo, última aposta de produção do grupo. Parece missão impossível. Mas, na mesa, os executivos expõem as garantias do processo de recuperação judicial, que será protocolado nas próximas semanas e deve assegurar uma porta de saída a eventuais novos investidores.

Última alternativa – Estes fundos estão sendo vistos como a tábua de salvação da OGX, já que a possibilidade de trazer recursos novos dos investidores que compraram os bônus (bondholders) emitidos pela OGX é mais do que remota. Os bondholders estão, aos poucos, sendo convencidos do processo de transformar seus créditos em ações da companhia, mas não há qualquer esperança de que aportem mais dinheiro na empresa.

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O problema é que a empresa já trabalha, segundo fontes, com o cálculo de que em torno de 70% dos bônus estejam em mãos de investidores de curto prazo. Em negócios desse tipo faz sentido comprar o papel a 0,17 real para sair ao nível atual da cotação, entre 0,23 e 0,25 real. Os esforços do processo de reestruturação estarão concentrados na produção de Tubarão Martelo, uma tarefa difícil, diante do pouco tempo disponível para a reversão do quadro atual.

Pelos cálculos do grupo de Eike, a entrada em produção do campo, localizado na Bacia de Campos – e que mantém a intenção de entrar em atividade no último trimestre – poderia ter o reflexo imediato de elevar em duas vezes e meia o valor da empresa. A reestruturação está calcada neste fôlego, já que hoje a companhia acumula dívidas de 3,6 bilhões de dólares e não chega a valer 2,5 bilhões de dólares.

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Consultoria – A OGX contava com um relatório da consultoria DeGolyer and MacNaughton, líder mundial em avaliação de reservas de petróleo, como parte do convencimento do potencial de produção do campo de Tubarão Martelo. Contudo, a consultoria não conseguiu comprovar nenhuma reserva com 90% de certeza de produção. Pelo documento divulgado nesta quinta, a DeGolyer and MacNaughton certificou apenas a existência de uma reserva de 87,9 barris de óleo equivalente, que tem 50% de chances de produção.

Outras reservas, com 10% de garantia produtiva, foram certificadas com capacidade de 108,5 milhões de barris de óleo equivalente.

Calote – As perdas implícitas nas cotações dos bônus da OGX superam a montante total dos prejuízos registrados com bônus externos não pagos por empresas norte-americanas de alto retorno, segundo estudo da Fitch Ratings. A agência diz ainda que o potencial calote da OGX e da norte-americana Energy Future Holdings (EFH) devem adicionar 20 bilhões de dólares aos cálculos sobre calotes de empresas de elevado retorno (high yield) norte-americanas deste ano e elevar para 3,5% a taxa de calotes em doze meses.

A agência de classificação de risco destacou que a EFH está próxima à falência e a OGX encontra-se em período de carência de trinta dias pelo descumprimento, na terça, do pagamento de juros de um de seus bônus externos. A falência da EFH deverá ser a quinta maior já registrada de uma empresa não financeira.

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Em perspectiva, as perdas registradas por todas as companhias, que já concretizaram calote no acumulado de janeiro a setembro deste ano, estavam em 2,2 bilhões de dólares. Os calotes recentes incluem o da Rural Metro, Green Field Energy, Lone Pine Resources and FriendFinder Networks. Os quatro somaram 1,3 bilhão de dólares ao cálculo de �defaults� deste ano, elevando o total de bônus não pagos, pelo valor de face, para 12,7 bilhões de dólares em 2013. O número é muito próximo dos 13,4 bilhões de dólares em igual período de 2012.

O total de emissores até setembro em situação de calote subiu para 27. Eram 25 emissores no mesmo intervalo do ano passado.

(com Estadão Conteúdo)

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