ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Economista explica como mercado reage a empate técnico Lula x Flávio

O que explica também diferentes percepções sobre a economia

Por Veruska Costa Donato 29 jun 2026, 11h41 | Atualizado em 29 jun 2026, 12h09
Economista explica como mercado reage a empate técnico Lula x Flávio Priorizar nos meus resultados Google

A divulgação da pesquisa BTG Nexus reforçou um cenário de maior equilíbrio na corrida presidencial e, ao mesmo tempo, trouxe um retrato do sentimento dos brasileiros em relação à economia.

Em uma eventual disputa de segundo turno, o presidente Lula aparece com 47% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro soma 44%. Em relação ao levantamento anterior, Lula perdeu dois pontos percentuais e Flávio oscilou um ponto para cima.

Contraste

O levantamento também mostra que a percepção da economia continua sendo um dos principais desafios do governo. Mais da metade dos entrevistados, 51%, acredita que a situação econômica do país piorou, percentual superior ao registrado duas semanas antes.

Piora na economia do país, melhora da própria situação financeira

Ao mesmo tempo, a avaliação da situação financeira pessoal apresenta uma leve melhora, com 34% classificando-a como ótima ou boa. O contraste revela que muitos brasileiros sentem avanços na própria renda, mas ainda enxergam um ambiente econômico desfavorável.

Entendendo a diferença

Essa diferença entre a realidade das famílias e a percepção sobre o país foi um dos temas analisados por Gustavo Trotta, sócio da Valor Investimentos. Segundo ele, apesar dos recordes na renda real dos brasileiros, o elevado custo do dinheiro pesa sobre o humor da população e das empresas.

O fator juros altos

“A gente vem com recordes em renda real líquida pelos brasileiros. Só que a gente vem com essa percepção de uma economia pior. E isso está ligado justamente a um patamar de juro que a gente está vivendo, que é o maior patamar dos últimos 20 anos”, afirmou.

Continua após a publicidade

IGP-M e Focus

No campo da inflação, os números recentes indicam algum alívio. O IGP-M caiu 0,5% em junho, resultado melhor que o esperado pelo mercado e influenciado principalmente pela queda dos preços do petróleo.

IPCA de 5,33%

Já o Boletim Focus interrompeu uma sequência de 15 semanas de alta nas projeções para o IPCA, mantendo a expectativa de inflação em 5,33% neste ano, sinalizando uma possível estabilização das previsões.

Política do BC traz resultados

Para Trotta, esses resultados mostram que a estratégia do Banco Central começa a produzir efeitos. “O núcleo da inflação veio desacelerando um pouco mais do que era esperado. Isso é uma notícia muito boa.Uma notícia de que a política contracionista do Banco Central está, de certa forma, surtindo efeito”, destacou.

Ainda assim, a expectativa do mercado é de poucos cortes na taxa Selic, atualmente em 14,25%, justamente porque o cenário continua cercado de incertezas.

Continua após a publicidade

Volatilidade

Entre esses fatores está a volatilidade internacional provocada pelas tensões envolvendo Estados Unidos e Irã, que influenciam diretamente os preços do petróleo e, por consequência, as expectativas de inflação no Brasil.

Contas públicas

No ambiente doméstico, Trotta avalia que o principal obstáculo continua sendo a credibilidade das contas públicas. “A variável estrutural mesmo é a credibilidade fiscal. Enquanto não houver compromisso crível com controle de gastos e trajetória da dívida, a gente não vai ter essa diminuição do prêmio de risco do País”, explicou.

O desejado equilíbrio fiscal

Na avaliação do especialista, esse cenário também ajuda a entender por que o mercado costuma reagi quando o pré-candidato Flávio Bolsonaro reduz a diferença de Lula na corrida presidencial.

O preço das expectativas

Segundo ele, investidores costumam precificar expectativas sobre a condução da política econômica, mas ressalta que, independentemente de quem esteja no poder, a confiança dos agentes dependerá da capacidade de apresentar um compromisso consistente com o equilíbrio fiscal.

Continua após a publicidade

Enquanto isso não acontece, os juros permanecem elevados, o crédito continua caro e a sensação de estagnação tende a persistir, mesmo com indicadores positivos de renda.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em verde-limão O MÊS É DO CLIENTE. e em branco A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua.. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos, e ao lado, uma árvore estilizada em verde-limãoMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo manchetes e produtos, ao lado do texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Básico

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 10,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).