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Economia japonesa entra em recessão – de novo

Sem conseguir melhorar o lado da oferta, PIB do país encolheu 0,8% no terceiro trimestre depois de ter diminuído 0,7% no segundo

O produto interno bruto (PIB) do Japão encolheu 0,8% no terceiro trimestre, o que levou a terceira maior economia do planeta a registrar mais uma vez o que se chama de “recessão técnica”, aquela caracterizada por dois semestres consecutivos de retração. Esta é a quarta recessão técnica do Japão em cinco anos. No segundo trimestre, a retração foi de 0,7%.

Segundo analistas, os dados revelam a necessidade de o país levar adiante uma reforma estrutural voltada a romper as dificuldades do lado da oferta, incluindo a escassez de trabalho. A sociedade japonesa tem envelhecido rapidamente e sofreu com uma deflação crônica por mais de 15 anos.

“Os dois primeiros pilares do ‘Abenomics’ (conjunto de medidas do governo para estimular a economia), de estímulos monetários e fiscais, tinham o objetivo de ganhar tempo, mas o Japão falhou em progredir com reformas dolorosas necessárias para impulsionar seu potencial de crescimento”, disse o economista sênior do BNP Paribas Securities Hiroshi Shiraishi. “Sem reformas, o potencial de crescimento da economia permanece baixo, deixando-a vulnerável a choques e a recessões mais frequentemente.”

O ministro da Economia, Akira Amari, citou em entrevista à imprensa após a divulgação dos dados uma escassez de trabalho disponível para projetos de obras públicas. Ele destacou uma restrição maior encarada pelas autoridades, uma vez que não há trabalhadores capacitados o suficiente para construir o crescimento.

Amari assentiu quando perguntado se “não via necessidade” de elaborar um orçamento extra para estimular a demanda imediatamente, apesar de o secretário do tesouro americano, Jack Lew, ter proposto que o Japão fornecesse mais suporte fiscal para garantir o retorno ao crescimento, liderado pela demanda doméstica.

O ministro japonês pediu às empresas do país que usem suas reservas recorde de dinheiro para elevar os salários e impulsionar os gastos de capital para gerar um ciclo virtuoso de crescimento liderado pelo setor privado, em vez de simplesmente exigirem mais estímulos.

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(Com Reuters)