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Economia da Argentina volta a encolher e desafia discurso de recuperação de Milei

PIB mensal recuou pelo segundo mês consecutivo, indicando que retomada da economia continua concentrada nos exportadores

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 jul 2026, 18h54 | Atualizado em 23 jul 2026, 15h23
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A recuperação da economia argentina perdeu força em maio.

Dados divulgados nesta quarta-feira (22) pelo instituto oficial de estatísticas mostram que a atividade econômica caiu 0,5% em relação a abril, marcando o segundo mês consecutivo de retração e indicando que a retomada do país segue concentrada em poucos setores.

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Na comparação com maio de 2025, a economia avançou apenas 0,2%, resultado bem abaixo das expectativas do mercado, que projetava expansão de 2,5%.

Agro e mineração continuam puxando a economia

Embora a atividade tenha perdido ritmo, os setores ligados à exportação continuam sendo o principal motor da economia argentina.

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Agricultura e mineração registraram os maiores avanços em relação ao ano passado, beneficiadas pela recuperação da safra agrícola após a seca histórica de 2023 e pelo aumento da produção de petróleo, gás e minerais, especialmente na formação de Vaca Muerta e na mineração de lítio.

Em sentido contrário, a indústria de transformação e o comércio varejista voltaram a registrar desempenho fraco, refletindo a desaceleração da demanda doméstica e o impacto da política de ajuste implementada pelo governo de Javier Milei.

Ajuste fiscal reduz inflação, mas consumo segue fraco

Desde que assumiu a Presidência, em dezembro de 2023, Milei adotou um amplo programa de austeridade baseado na redução dos gastos públicos, eliminação de subsídios, desregulamentação da economia e forte contenção monetária.

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As medidas contribuíram para desacelerar a inflação, que voltou a cair em junho pelo terceiro mês consecutivo e atingiu o menor nível desde agosto do ano passado. Ao mesmo tempo, porém, o ajuste continua limitando o consumo das famílias e a atividade de setores mais dependentes do mercado interno.

Indicadores divulgados nas últimas semanas já apontavam esse cenário. Enquanto as exportações seguem em expansão, dados sobre arrecadação tributária e importações sugerem uma demanda doméstica ainda enfraquecida.

Mercado vê crescimento, mas sem aceleração

Economistas avaliam que os números de maio não representam necessariamente uma mudança na tendência da economia argentina, mas reforçam que a recuperação permanece desigual.

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O crescimento deverá continuar apoiado principalmente no agronegócio e na mineração, sem se espalhar de forma significativa para o restante da economia no curto prazo.

Entre as razões, a fraqueza da indústria, que reduz o efeito positivo que os setores exportadores poderiam exercer sobre emprego, renda e investimento.

Investidores acompanham cenário político

Apesar da desaceleração da atividade, o governo Milei recebeu uma notícia positiva nesta semana.

A Moody’s elevou a nota de crédito da Argentina, tornando-se a última das três grandes agências internacionais a melhorar a classificação do país, movimento que fortalece a expectativa de uma futura volta da Argentina ao mercado internacional de capitais.

Ainda assim, investidores seguem atentos à capacidade do governo de transformar a melhora dos indicadores macroeconômicos em crescimento mais disseminado.

Em relatório divulgado neste mês, analistas do Morgan Stanley afirmaram que uma recuperação concentrada em poucos segmentos pode aumentar as incertezas políticas antes das eleições de 2027.

Para o banco, a tendência é que a atividade se torne mais equilibrada gradualmente, impulsionada pela retomada da construção civil, pela recuperação do poder de compra da população e pela reativação do crédito.

PIB deve crescer em 2026

Depois de avançar 0,7% no primeiro trimestre em relação aos três meses anteriores, a economia argentina deve encerrar 2026 em expansão pelo segundo ano consecutivo, segundo projeções do Banco Central argentino.

A mediana das estimativas de mercado aponta crescimento de 3% neste ano, enquanto a inflação, embora ainda elevada, deve terminar 2026 próxima de 30%.

O principal desafio para o governo será ampliar a recuperação para setores intensivos em mão de obra.

Apesar da melhora em parte dos indicadores econômicos, o desemprego continua elevado e o mercado de trabalho formal perdeu centenas de milhares de vagas desde o início do programa de ajuste.

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