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EBP fará road show para atrair investidores para Galeão e Confins

Empresa que prepara a maior parte dos projetos de infraestrutura do governo quer esclarecer detalhes das privatizações a companhias estrangeiras

A Estruturadora Brasileira de Projetos (EBP), empresa responsável pela maior parte dos projetos de infraestrutura do governo brasileiro, convocou na tarde desta quinta-feira grandes investidores brasileiros e estrangeiros para um road show que acontecerá em São Paulo nos dias 24 e 25 de junho. De acordo com o convite, ao qual o site de VEJA teve acesso, a intenção da empresa é explicar aos investidores como funcionará o modelo de privatização e elucidar prováveis dúvidas – sobretudo no que se refere à participação estatal nos aeroportos.

Entre os participantes do evento estarão o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e as consultorias Leigh Fisher e IFC, responsáveis pelos estudos de viabilidade dos dois aeroportos. Segundo a EBP, nenhum membro do governo estará presente. Contudo, ainda de acordo com o convite, todas as questões levantadas pelos participantes – inclusive as críticas – serão direcionadas à Secretaria de Aviação Civil (SAC), sem citar a autoria.

No último dia 31, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) divulgou a minuta do edital de concessão dos dois aeroportos, que ficará em consulta pública até o dia 30 de junho. O leilão está previsto para o mês de outubro.

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Privatização – O valor total que o governo deverá arrecadar ao transferir o controle dos dois aeroportos para a iniciativa privada será de, no mínimo, 14,91 bilhões de reais. A soma engloba os lances mínimos exigidos por cada aeroporto e os valores que devem ser investidos na melhoria dos terminais durante a concessão. Fora isso, os consórcios que arrematarem os aeroportos deverão ceder 5% da renda bruta anual de cada um dos terminais para o governo. O valor ficou bem próximo da previsão do governo, que esperava arrecadar 15 bilhões de reais com as privatizações.

No Galeão, o consórcio que vencer o leilão terá que desembolsar, no mínimo, 9,85 bilhões de reais pelo controle do aeroporto. O valor é obtido pela soma do lance mínimo, de 4,65 bilhões de reais, e dos investimentos, que serão de 5,2 bilhões de reais nos próximos 25 anos. Em Confins, o valor total da concessão será de, no mínimo, 5,06 bilhões de reais – 1,56 bilhão de reais pelo lance mínimo e mais 3,5 bilhões de reais em aportes nos próximos 30 anos.

Mania de road shows Os road shows têm sido usados pelo governo com certa frequência como forma de atrair investidores a financiar obras de infraestrutura no Brasil. Devido ao frustrante interesse do setor privado nas concessões de rodovias e ferrovias, o governo chegou a fazer road shows em Londres e Nova York no início do ano, com a presença, inclusive, do próprio ministro Guido Mantega. O objetivo era tentar convencer o mercado a “engolir” taxas de retorno menores sob o pretexto de que, hoje, a economia brasileira é estável e menos arriscada. A tentativa não funcionou e o governo se viu forçado a aumentar a margem de ganho dos empresários.