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“É um negócio monstruoso”, diz secretário sobre estatais deficitárias

Diogo Mac Cord, do Ministério da Economia, afirma que não há outra opção para resolver o problema a não ser a privatização ou a extinção dessas empresas

Por Thiago Bronzatto Atualizado em 4 dez 2020, 08h48 - Publicado em 4 dez 2020, 06h00

O engenheiro Diogo Mac Cord assumiu em agosto a Secretaria Especial de Desestatização do Ministério da Economia. Na entrevista abaixo, ele diz que não há outra opção para resolver o problema das estatais a não ser a privatização ou a extinção dessas empresas.

O que esse levantamento concluiu de mais relevante? O tamanho do problema. A folha de pagamento dessas empresas custa mais de 100 bilhões de reais por ano. Se pegarmos o Orçamento total para a infraestrutura, chegamos a 20 bilhões de reais. Ou seja, gasta-se cinco vezes mais apenas com salários do que com todo o investimento federal em infraestrutura. É um negócio monstruoso. Será que a gente realmente precisa disso?

Precisa? Pegue o caso de Trensurb e CBTU, que fazem a mobilidade urbana de seis praças no Brasil. Elas custam em torno de 1,2 bilhão de reais por ano. Quem paga essa conta são 200 milhões de brasileiros. Quando uma empresa privada tem prejuízo, ela acaba, morre. Mas quando uma empresa pública tem prejuízo, ela recebe mais dinheiro. Isso não faz sentido.

O governo já tem o diagnóstico. E a solução? Se tem uma empresa que não cumpre o interesse público e desperta o interesse do setor privado, então, tem de vender. Se tem uma política pública necessária e o setor privado não se interessa, basta transferir a responsabilidade para a administração direta. E se o setor privado não se interessa e a empresa não cumpre uma política pública, extingue-se.

Essa era a promessa do governo, que nunca saiu do papel. Começamos do zero, e esse é um processo que leva, no mínimo, dois anos. Estamos avançando para que possamos no ano que vem iniciar efetivamente as vendas. Tínhamos um navio atolado na areia. Até colocá-lo na velocidade de cruzeiro demora um pouco.

Existe alguma prioridade? A Eletrobras. A tarifa de energia aumentou mais de 100% de 2013 até hoje. Como você quer um setor elétrico moderno com uma empresa que foi impedida de participar de leilões, foi responsável por um blackout, foi condenada por práticas predatórias e ainda envolvida em escândalo de corrupção? Na lista estão também os Correios, o Porto de Santos, a CBTU e Trensurb.

O seu antecessor disse que os políticos não têm interesse na privatização. O senhor concorda com ele? Não há outra opção. A agenda do passado, atrasada, causou a crise econômica em 2015 e 2016. Nossa agenda é positiva. O Congresso vai ser contra ou a favor? O Congresso quer o bem ou o mal do país?

Publicado em VEJA de 9 de dezembro de 2020, edição nº 2716

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