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Dúvidas sobre economia pautaram metas do Pão de Açúcar

Mesmo assim, empresa aposta no aquecimento doméstico com as recentes medidas anunciadas pelo governo

O vice presidente do Grupo Pão de Açúcar, Hugo Bethlem, disse nesta terça-feira que as estimativas da companhia para este ano “ficaram no piso” em função de dúvidas sobre a economia, embora a empresa aposte no aquecimento doméstico com as recentes medidas anunciadas pelo governo. “Nosso guidance conservador se deve ao fato de a economia ainda estar nebulosa, mas estamos confiantes em que as medidas estão no rumo certo para aquecer a economia”, disse o executivo.

A previsão é de que as vendas consolidadas superem uma receita bruta de R$ 57,2 bilhões ao final deste ano. O GPA Alimentar, que reúne supermercados, hipermercados e atacado, pode encerrar 2012 com vendas acima de R$ 31,5 bilhões. “Não é um número cravado”, ponderou o presidente-executivo do grupo, Enéas Pestana, em teleconferência com analistas e investidores, assinalando que a empresa optou por uma projeção “conservadora”. No segmento não alimentar (Viavarejo e Nova Pontocom), a companhia projeta receita bruta de R$ 25,7 bilhões.

Hugo Bethlem explicou que, mesmo cautelosos sobre o aquecimento do consumo, as metas de receita bruta para os negócios alimentar e não alimentar foram construídas com base na perspectivas de que as medidas vão estimular a economia, em geral. “Temos o Dia das Mães para observar como estão as vendas”, disse.

De acordo com ele, as medidas sobre juros anunciadas pelo governo não devem impactar diretamente os negócios da companhia, com exceção da Casas Bahia devido ao acesso ao crediário. Para ele, a redução dos juros está mais relacionada à queda nas despesas, já que a companhia poderá encontrar no mercado taxas menores para desconto de recebíveis.

O executivo destacou que o principal objetivo é melhorar a negociação com fornecedores, visando uma redução de custos. “Neste ano, nosso foco é reduzir despesas para entregar melhores resultados para os acionistas. Há 17 trimestres que entregamos resultados consistentes e crescentes”, afirmou.

Entre janeiro e março, houve aumento de 10,3% das despesas operacionais totais do GPA Consolidado (Alimentar e Viavarejo) ante igual período de 2011, passando de R$ 2,266 bilhões para R$ 2,498 bilhões. As despesas com vendas do GPA Consolidado aumentaram 9,6%, para R$ 2,061 bilhões, enquanto as despesas gerais e administrativas cresceram 13,5%, para R$ 437 milhões.

O empresário Abilio Diniz, presidente do Conselho de Administração do Grupo Pão de Açúcar, disse que a companhia deve continuar focada em ampliar sua participação no mercado e também em reduzir o endividamento da companhia.

A varejista também informou que a margem Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) deve ser de 6,4 a 7,2% em 2012, após 6,5% em 2011. A relação dívida líquida/Ebitda atingiu 1,51x.

Já os investimentos no fechado deste ano devem somar 1,8 bilhão de reais, comparado a desembolso de 1,6 bilhão de reais no ano passado. O aporte é inferior ao valor teto aprovado em meados de abril, de perto de 2 bilhões de reais. “O (valor) projetado é 1,8 bilhão (de reais)… Esse número pode chegar ao teto aprovado em assembleia”, afirmou o presidente-executivo Enéas Pestana.

Do montante total, conforme Bethlem, de 600 milhões a 700 milhões de reais serão destinados à compra de terrenos e construção de novas lojas no segmento alimentar. Para 2012, a estimativa da companhia é de inaugurar entre 70 e 80 lojas na área alimentar e outras 50 a 60 unidades da Via Varejo, que inclui Casas Bahia e Ponto Frio. As inaugurações das Casas Bahia ficarão concentradas na região Nordeste e as unidades de Ponto Frio em shopping centers.

Dentro do segmento alimentar, 50 unidades contarão com a bandeira Minimercado Extra, os chamados “supermercados de proximidade”, sendo que 19 já estão contratadas para serem inauguradas principalmente em São Paulo.

Questionado sobre possíveis aquisições, Bethlem afirmou que a previsão de investimento anual não inclui tais operações. “Não orçamos aquisições”, disse ele a jornalistas. “Se acontecerem aquisições no meio do caminho, terá de haver um remanejamento de prioridades.”

O Pão de Açúcar registrou lucro líquido consolidado, que incluem os resultados da ViaVarejo, de R$ 167 milhões no primeiro trimestre do ano, crescimento de 25,8% ante o mesmo período de 2011. A companhia teve alta 28,64% no endividamento líquido consolidado, que somava R$ 4,847 bilhões no final de março ante R$ 3,768 bilhões em 31 de dezembro.

Via Verejo – Após encerrar os três primeiros meses do ano com vendas brutas quase 10% maiores na comparação anual, em 6,3 bilhões de reais, a Via Varejo (ex-Globex) deve concentrar os esforços em crescimento orgânico.

“Estamos focando em crescimento orgânico agressivo”, disse o presidente-executivo da unidade de eletroeletrônicos e comércio online do grupo, Raphael Klein. “Temos muito espaço para crescer… Isso ajudará o crescimento (de vendas) mesmas lojas a se manter forte”.

Atualmente no meio do processo de captura de sinergias decorrentes da união das empresas, a Via Varejo tem dentre as metas para 2012 a aprovação do negócio por parte do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), cujo processo está em andamento há 28 meses.

“Estamos otimistas que (o Cade) aprove (a operação) o mais rápido possível, mas não temos data definida”, disse Klein, ressaltando que o atraso na aprovação não interfere na estimativa de inaugurações de lojas para este ano.

(com agências Reuters e Estado)