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Draghi afirma que euro é ‘irreversível’ e que o BCE não tem tabu

O euro é “irreversível” e o Banco Central Europeu (BCE) não tem tabu algum quando se trata de agir para preservá-lo, assegura seu presidente, Mario Draghi, em uma entrevista publicada pelo jornal Le Monde deste sábado.

Não haverá uma explosão da zona do euro, porque “isso é desprezar o capital político que nossos dirigentes investiram nesta união e o apoio dos europeus. O euro é irreversível”, afirmou Draghi nesta entrevista.

“Preservar o euro faz parte de nosso mandato” e para conseguir “estamos abertos e não temos tabu algum”, acrescentou o presidente do BCE.

Draghi lembrou que a instituição que preside decidiu baixar sua taxa básica de juros para menos de 1%, com a inflação próxima dos 2%, meta fixada pela instituição.

Draghi admitiu que ainda há margens de manobra e considerou “provável que (a inflação) retroceda no final de 2012”. “Se comprovarmos que existem riscos de deflação, então, vamos agir”, afirmou.

O presidente do BCE considerou útil envolver os principais credores, em caso de quebra de um banco, uma disposição à qual o BCE se opôs durante muito tempo, principalmente durante o resgate dos bancos irlandeses.

“Uma coisa importante é o envolvimento dos credores principais dos bancos: o BCE considera que deve ser possível, em caso de liquidação de um banco. É preciso proteger os correntistas, mas os credores devem ser associados à solução da crise para limitar o compromisso dos contribuintes. Eles já pagaram o bastante”, explicou Draghi.

Durante a liquidação de um banco, esse mecanismo obrigaria os investidores a assumir uma parte das obrigações (cujo reembolso é prioritário) para deixar mais leve a conta paga pelo contribuinte, o que não aconteceu, por exemplo, durante o resgate dos bancos irlandeses.