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Dono da LVHM processa jornal por chamada de capa

Reportagem sobre intenção do bilionário de se tornar cidadão belga trazia como título uma expressão grosseira

Por Da Redação - 10 set 2012, 16h28

O bilionário nº 1 da França e quarto homem mais rico do mundo, Bernard Arnault, decidiu nesta segunda-feira entrar com uma ação judicial contra o jornal francês Libération em reparação à capa da edição deste domingo, informa a agência France-Presse (AFP). A reportagem sobre a intenção do dono do conglomerado de luxo LVHM – que detém, entre outras marcas, a Louis Vuitton – de se tornar cidadão belga, numa suposta tentativa de pagar menos impostos, trouxe no título uma expressão de baixo calão. “Cai fora, rico idiota” seria a tradução mais branda para a chamada. A frase é uma alusão ao célebre xingamento proferido pelo ex-presidente Nicolas Sarkozy em 2008, durante uma exposição agrícola. Ao ser insultado por um homem, o político revidou com um “Cai fora, pobre idiota” (também numa tradução bem familiar).

Capa do Liberátion
Capa do Liberátion VEJA

O mais rico francês da atualidade acusou o jornal de insultá-lo publicamente. “Bernard Arnault não tem escolha a não ser levar o Libération à Justiça, dada a extrema vulgaridade e agressividade do proprietário do jornal em reportagem datada de 10 de setembro de 2012″, argumentam os advogados do executivo em comunicado. O texto recorda ainda o que Arnault disse no final de semana: que “foi e continua sendo” um residente fiscal francês.

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A reportagem de domingo insinua que o desejo de obter a cidadania belga – que não é desmentido pelo executivo – teria por trás planos de evasão fiscal. Arnault estaria pensando em fugir dos altos impostos franceses, tendo em vista a mudança na legislação proposta pelo presidente François Hollande, que pode elevar para 75% a taxação daqueles com rendimento superior a 1 milhão de euros ao ano.

Os advogados acrescentam que, desde a criação da LVMH, Arnault “sempre trabalhou e pagou todos os seus impostos na França”. “Durante todo o curso de seus negócios, sempre foi um defensor do ‘know-how’ e do patrimônio cultural francês, além de ter criado mais de 20.000 empregos diretos no país”, diz o texto.

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Libération – O diretor-adjunto do Libération, Vincent Giret, defendeu a reportagem. “Se há dureza e certa vulgaridade no título é porque é precisamente essa a situação atual da França”, declarou. A decisão do bilionário de pedir a nacionalidade belga “também contém essa mesma dose de vulgaridade a que nos referimos, num espécie de efeito bumerangue”, destacou o porta-voz do jornal.

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