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Dona da Louis Vuitton compra grife Tiffany por US$ 16,2 bi

LVMH busca impulsionar sua divisão de joias e relógios — a menor parte do grupo francês. De quebra, dá um salto em direção ao mercado chinês

Por Reuters - Atualizado em 25 nov 2019, 13h36 - Publicado em 25 nov 2019, 12h51

A LVMH , proprietária da Louis Vuitton, fechou negócio para comprar a grife americana Tiffany por 16,2 bilhões de dólares em sua maior aquisição. A fabricante francesa de artigos de luxo aposta que pode restaurar o brilho da joalheria, fundada em Nova York, em 1837.

O acordo em dinheiro de 135 dólares por ação impulsionará o menor negócio da LVMH, a divisão de joias e relógios que já abriga Bulgari e Tag Heuer, e a ajudará a expandir em uma das seções de mais rápido crescimento da indústria. Marcas de moda e acessórios, incluindo Christian Dior, geram a maior parte dos ganhos na LVMH, administrada pelo homem mais rico da França, Bernard Arnault, embora o crescimento em joias tenha se destacado nos últimos anos.

Fachada de uma loja da marca francesa Louis Vuitton, em Pequim, na China; A dona, LVMH, pagou mais de 50% acima do preço original pela Tiffany

Fachada de uma loja da marca francesa Louis Vuitton, em Pequim, na China; A dona, LVMH, pagou mais de 50% acima do preço original pela Tiffany VCG/Getty Images

“A aquisição da Tiffany fortalecerá a posição da LVMH em joalheria e aumentará ainda mais sua presença nos Estados Unidos”, disseram LVMH e Tiffany em comunicado conjunto. As ações da LVMH avançavam cerca de 1,8% nesta segunda-feira, 25, enquanto que as ações listadas da Tiffany, em Frankfurt, subiram 6,6%. O presidente-executivo da Tiffany, Alessandro Bogliolo, disse que a transação “fornecerá mais suporte, recursos e impulso”.

As empresas disseram que esperavam fechar o negócio em meados de 2020. A Tiffany afirmou no comunicado que seu conselho de administração recomendou que os acionistas aprovassem a transação com a LVMH. O preço de 135 dólares representa um prêmio de 7,5% sobre a cotação de fechamento da Tiffany na sexta-feira, 22, e é mais de 50% maior do que o preço das ações antes que o interesse da LVMH fosse conhecido.

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Conhecida por sua embalagem azul no mesmo tom dos ovos das aves robin, a Tiffany é um dos nomes mais conhecidos na indústria de joias e apareceu no filme Breakfast at Tiffany’s (traduzido para Bonequinha de Luxo no Brasil), estrelado por Audrey Hepburn.

O namoro oficial da LVMH com a Tiffany durou cerca de cinco semanas depois de sua primeira abordagem com uma oferta de 120 dólares em meados de outubro, mas a empresa estava de olho na famosa marca há anos.

A marca, que tem mais de 300 lojas em todo o mundo e realizou quase metade de suas vendas em casa no ano passado, vem lutando para conquistar compradores mais jovens nos últimos anos e competir com rivais de menor preço, como a dinamarquesa Pandora e a conterrânea Signet Jewellers.

A atriz chinesa Jing Tian, durante evento da marca de luxo; com a compra da Tiffany, a LVHM busca conseguir uma inserção maior na China

A atriz chinesa Jing Tian, durante evento da marca de luxo; com a compra da Tiffany, a LVHM busca conseguir uma inserção maior na China VCG/Getty Images

Agora, também precisa enfrentar uma guerra comercial entre Washington e Pequim e mudar os padrões de gastos, à medida que os compradores chineses se retiram dos EUA e gastam mais em casa. “O valor da marca Tiffany e a força da imagem de sua icônica Blue Box de 1837 são mais valiosos do que os dados financeiros atuais sugerem”, disse o analista da Jefferies, Flavio Cereda. “A LVMH pode aproveitar isso para lançar um ‘ataque’ mais concentrado no mercado milenar asiático.”

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Os consumidores chineses de 20 e 30 anos estão ajudando a impulsionar o crescimento na indústria de bens de luxo. O crescimento em joias superou o de outras empresas, como a moda em 2018, segundo a consultoria Bain & Co, que prevê vendas comparáveis ​​no mercado global de joias de 20 bilhões de dólares, que devem crescer 7% este ano. A aquisição posiciona a LVMH, o maior conglomerado de luxo do mundo, diretamente no território ocupado por seu rival Richemont, proprietário da Cartier.

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