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Dólar tem 5ª alta seguida e ultrapassa R$ 1,80

Por Silvana Rocha

São Paulo – O dólar começou a semana em alta no mercado global de moedas e também no Brasil, em meio aos mesmos problemas que já ampararam a aversão ao risco pelos investidores na semana passada: as dificuldades políticas na zona do euro para implementar os recentes planos de austeridade fiscal; a possibilidade de aumento de perdas do sistema financeiro europeu à medida que o crescimento global se enfraquece e a crise na região aumenta; e a dificuldade do supercomitê bipartidário norte-americano para chegar a um acordo até quarta-feira para reduzir o déficit federal em pelo menos US$ 1,2 trilhão pelos próximos dez anos. Neste caso, a desconfiança traduziu-se no aumento do custo para assegurar a dívida soberana de cinco anos dos Estados Unidos hoje em relação a sexta-feira, segundo dados da Markit.

Por isso, no mercado de câmbio local, o dólar subiu pela quinta sessão consecutiva e ultrapassou o patamar de R$ 1,80. A moeda no balcão fechou com valorização de 1,29%, cotada a R$ 1,8060 – valor mais alto desde 5 de outubro (a R$ 1,836) e com maior ganho diário desde 9 de novembro (+1,32%). Nestas cinco sessões, acumulou alta de 3,56%; no mês avança 6,61% e, no ano, +8,53%. Na BM&F, o dólar pronto terminou com ganho de 1,30%, a R$ 1,8059.

A despeito da valorização da moeda, o fluxo cambial foi positivo hoje. “O avanço do dólar além de R$ 1,80 atraiu exportadores à venda no mercado à vista”, disse o operador de um banco. Em consequência, a taxa do cupom cambial de curto prazo (que vence em 1º de dezembro) passou de -0,40% no fechamento na sexta-feira para -1,05% no último negócio, até às 16h10. “A margem de oscilação desse cupom é maior por causa da proximidade de seu vencimento (em 1º de dezembro)”, explicou a mesma fonte. No caso do cupom cambial de janeiro de 2012, a taxa também “fechou”, passando de +1,60% na sexta-feira para +1,40% às 16h10 hoje.

Na Europa, o risco de a França perder seu rating triplo A, a dúvida se a Itália precisará ser socorrida e ainda a expectativa sobre a decisão do Fundo Monetário Internacional em relação à liberação da sexta parcela de auxílio financeiro à Grécia esta semana serviram de justificativas para a ampliação das posições defensivas. Hoje, nos EUA, o custo do CDS de cinco anos do país era de 54 mil euros por ano para assegurar 10 milhões de euros em Treasuries por cinco anos, ante 48 mil euros na sexta-feira.