Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

Dólar supera R$ 2,12 e já sinaliza novo teto informal

Resultado fraco do PIB, divulgado nesta sexta-feira, contribuiu para expectativa de desvalorização do real

Por Da Redação 30 nov 2012, 17h23

O dólar encerrou a semana com ganho de 2,11%, e acima de 2,12 reais, impulsionado pela percepção crescente no mercado de que há maior disposição do governo e do Banco Central (BC) para tolerar um real mais depreciado – com objetivo de estimular o crescimento econômico e, principalmente, a indústria brasileira. A divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre do ano em um nível considerado enfraquecido reforçou esse entendimento e, como resultado, os investidores testam em qual patamar do dólar o Banco Central voltaria a intervir no mercado.

Leia também:

PIB avança 0,6% no 3º trimestre, diz IBGE

Brasil cresce menos do que os demais Brics

Mantega ‘errou feio’, avalia o jornal ‘Financial Times’

Após a definição da Ptax – taxa oficial de câmbio do Banco Central – nesta sexta-feira, que servirá de referência para liquidação de contratos de derivativos cambiais (contratos com vencimento futuro) em dezembro, os investidores puxaram a cotação do dólar no período da tarde. Tradicionalmente, no último mês do ano, as remessas corporativas são mais intensas para pagamentos feitos no exterior.

Antes da divulgação do PIB no terceiro trimestre, a expectativa era de que, depois da formação da Ptax, o dólar pudesse retornar para um nível inferior a 2,10 reais. Contudo, com a divulgação do PIB no terceiro trimestre mostrando atividade econômica ainda frágil, analistas falam em um teto informal mais elevado para o dólar. “Supostamente, a banda (com teto) de 2,10 reais seria o ponto de entrada do BC, o que não está se mostrando”, observou o gerente de câmbio Multi Money Corretora de Câmbio, Durval Correa. “Se quiser falar em novo patamar (para o dólar) poderia ser entre 2,00 reais e 2,15 reais, mas depende da inflação. Se começar piorar (a perspectiva inflação), BC pode empurrar para baixo de 2,10 reais”, destacou Flávia Cattan-Naslausky, do RBS.

Continua após a publicidade

Leia também:

Dólar ultrapassa R$ 2,10 e Banco Central intervém

Mantega: câmbio acima de R$ 2 veio para ficar, mas não é satisfatório

O Banco Central não rolou o lote remanescente do swap cambial reverso que vence em 3 de dezembro. Cerca da metade do total de aproximadamente 3,1 bilhões de dólares já havia sido liquidada.

No mercado doméstico, o dólar à vista fechou na máxima do dia, cotado a 2,1270 reais no balcão, com alta de 1,38%. Para fechamento, esse valor do dólar é o maior desde 5 de maio de 2009, quando a moeda norte-americana ficou em 2,148 reais. Em variação diária (intraday), o preço da moeda foi o mais alto desde 6 de maio de 2009, quando a cotação ao longo do pregão atingiu 2,130 reais.

Na semana, os ganhos do dólar totalizam 2,11% e somam 4,78% no mês. No ano, o avanço acumulado já é de 13,80%. Nesta sexta-feira, na mínima do dia, o dólar tocou 2,0950 reais. Na BM&F, a moeda spot fechou em 2,1070 reais, com alta de 0,47% e três negócios (dado preliminar). No mesmo horário, o dólar para dezembro de 2012 estava cotado a 2,107 reais (+0,38%).

(com Estadão Conteúdo)

Continua após a publicidade
Publicidade