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Dólar sobe e vai a R$ 3,55, maior nível em quase dois anos

Alta é puxada pela expectativa de que o Federal Reserve, banco central americano, mantenha a taxa de juros nesta tarde

O dólar ampliou a alta e chegou ao patamar de 3,55 reais, o maior em quase dois anos, acompanhando o cenário externo em dia de expectativa pelo desfecho do encontro de política monetária do banco central dos Estados Unidos e que pode afetar o fluxo de recursos global.

Às 11h51, o dólar avançava 1,22%, a 3,5503 reais na venda, depois de acumular alta de 6,16% em abril, maior valorização mensal em quase um ano e meio.

Na máxima desta sessão, a moeda americana foi a 3,5544 reais, maior nível intradia desde junho de 2016. O dólar futuro tinha alta de cerca de 1,20%.

O Federal Reserve, banco central americano, deve manter a taxa de juros nesta tarde, mas provavelmente incentivará ainda mais as expectativas de que elevará os custos dos empréstimos em junho, devido à aceleração da inflação e ao desemprego baixo.

De acordo com a corretora H.Commcor, qualquer indicação otimista do Fed além do que já é considerada sobre a atividade pode levar o mercado a “uma sensação ‘hawkish‘ [agressiva] em termos de política monetária, seja para eventual guinada para um total de quatro altas de juros no ano, seja para uma condução mais agressiva no próximo ano”.

O Fed aumentou sua taxa básica de juros na reunião de 20 e 21 de março em 0,25 ponto porcentual, para o intervalo entre 1,50 e 1,75%. Atualmente, o banco central prevê outros dois aumentos dos juros neste ano, embora número crescente de autoridades veja três altas como uma possibilidade.

Mais juros nos Estados Unidos podem afetar o fluxo global de recursos, tirando dinheiro de praças como a brasileira e encarecendo o dólar ante o real. “Tudo gira em torno da decisão do Fed”, afirmou o operador da Spinelli Corretora José Carlos Amado.

No exterior, o dólar atingiu a máxima desde 29 de dezembro, a 92,655, ante uma cesta de moedas, e firmou alta ante praticamente todas as moedas emergentes, com destaque para a lira turca.

Internamente, os investidores também seguiam de olho no cenário político, a poucos meses das eleições presidenciais envoltas em grandes incertezas.

Apesar da alta do dólar a 3,55 reais, o Banco Central brasileiro ainda não anunciou intervenção no mercado de câmbio, por enquanto. Segundo profissionais, a expectativa era de que o BC role integralmente o vencimento de junho de swap cambial tradicional, equivalente à venda de dólares no mercado futuro. O volume total é de 5,650 bilhões de dólares.

Vencem ainda na quinta-feira 2 bilhões de dólares em leilão de linha, que é a venda de dólares com compromisso de recompra.