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Dólar sobe a R$ 4,15 com cenário de instabilidade e mercado interno frágil

Para analistas, disputa comercial entre China e Estados Unidos deve afetar mais os países emergentes; bolsa opera em baixa

O dólar comercial sobe forte nesta segunda-feira, 26, em relação ao real. Às 12h30, o câmbio subia 0,6%, cotado ao 4,15 reais na venda, renovando a máxima do ano no intraday (durante o pregão). No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tinha queda de 0,59%, aos 97.087 pontos.

O desempenho nos mercados brasileiros não é acompanhado pelo resto do mundo. As bolsas asiáticas fecharam em queda, mas na Europa e nos Estados Unidos o dia é de relativo otimismo, pelo alívio de tensões entre China e Estados Unidos no final de semana, que tiveram uma escalada na semana passada, com a imposição de tarifas por ambos os países. No G7, o presidente americano, Donald Trump, elogiou o mandatário chinês, Xi Jinping e disse: “Acho que teremos um acordo.” Por volta das 12h, o índice alemão DAX tinha leve alta de 0,11% e o francês CAC de 0,15%. Já os americanos Nasdaq e Dow Jones subiam 0,78% e 0,85% respectivamente.

Para Fernando Bergallo, diretor de Câmbio da FB Capital, existe um medo dos investidores que a disputa comercial e o cenário de desaceleração global leve à saída dos investimentos de países emergentes. “Há um movimento de muito receio no mercado financeiro global, por causa do caminho recessivo que a economia mundial está adentrando. E que com o passar do tempo, os investidores retirem seus investimentos nos países emergentes e refaçam sua carteira de modo mais defensivo.”

Já Thiago Salomão, analista da corretora Rico Investimentos, diz que os mercados brasileiros estão “fragilizados” após a escalada nas tensões comerciais. Com isso, os investidores ficam mais suscetível à realização de lucros.

O cenário interno também é motivo de preocupação. O Banco Central (BC) divulgou nesta segunda um déficit em transações correntes de 9 bilhões de dólares em julho, pior dado para o mês em cinco anos, afetado, entre outros fatores, pela balança comercial mais fraca. “Esses dados apontam deterioração continuada do setor externo”, afirmou em André Perfeito, economista-chefe da corretora Necton, em nota. “O saldo da Balança Comercial está revertendo na esteira da deterioração da Argentina e da guerra comercial que vem diminuindo a dinâmica da atividade global”, acrescentou ele.