Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Dólar perde 0,69% e fecha cotado a R$ 1,8730

Por Silvana Rocha

São Paulo – O dólar no mercado à vista fechou nesta sexta-feira em queda de 0,69%, a R$ 1,8730 no balcão, interrompendo cinco sessões de ganhos acumulados em 3,23%. Nesse período de valorização, o spot no balcão saltou de R$ 1,8270 para R$ 1,886 na quinta-feira, sendo que em vários momentos nos últimos pregões aproximou-se do patamar de R$ 1,90 no intradia. Na semana, a moeda contabilizou alta de 1,90%.

A forte correção de preço recente respondeu à piora no cenário externo, a uma mudança de expectativas sobre o fluxo cambial para o País, à perspectiva de que a Selic de 9% ao ano ainda pode ceder mais e aos dez leilões de compra de moeda feitos pelo Banco Central entre o dia 12 e a última quarta-feira. Além disso, a presidente Dilma Rousseff, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, vêm reafirmando quase diariamente que o governo não tolerará a valorização do real. Em consequência, a moeda norte-americana devolveu desde quarta-feira as perdas contabilizadas no ano e até passou a subir levemente ante o real. Em abril, o dólar balcão acumula alta de 2,52% e, no ano, de 0,21%.

Na quinta-feira o BC não apareceu no mercado e nesta sexta-feira fez somente um leilão de compra na sessão vespertina, no qual pagou taxa de corte de R$ 1,8710. A operação conteve o recuo da moeda, que ficou em linha com a desvalorização no mercado externo. Isso porque, antes do leilão, o dólar à vista caía 1,01%, a R$ 1,8670 e, depois, passou a R$ 1,8710 (-0,80%) – exatamente a mesma taxa do leilão. A mínima do dólar à vista nesta sexta-feira, de R$ 1,8640 (-1,17%), foi registrada no fim da primeira parte dos negócios, quando o mercado, frustrado com a ausência do BC pela manhã, elevou a oferta de moeda á vista.

O economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, observou que, após a cotação do dólar se aproximar de R$ 1,90/US$ ontem, o BC não entrou no mercado. Há dúvidas em relação a se esta cotação seria um nível de resistência forte, tendo em vista os riscos inflacionários e a própria pressão nos custos dos insumos às empresas. Tal limite já ficou configurado no segundo semestre de 2011, quando em meio à crise europeia o BC atuou na ponta vendedora para evitar altas maiores, diz o economista. Com a volta do BC agora, parece que o patamar de R$ 1,870 seria um novo piso informal. De agora em diante, avalia Campos Neto, os mercados deverão monitorar diariamente as declarações e atuações do governo, a fim de identificar qual será o objetivo da política atual – já que não são mais os fundamentos que determinam a maior parte das oscilações do câmbio.