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Dólar fecha aos R$ 4, no maior valor em sete meses

Prévia ruim do PIB, ida do ministro da Educação à Câmara e dificuldade de articulação do governo com congressistas geram apreensão nos investidores

Em um dia de tensão no cenário interno, o dólar subiu 0,5% e fechou aos 4,00 reais na cotação de venda nesta quarta-feira, 15. Foi o maior valor desde 1º de outubro do ano passado. O dia foi marcado pela projeção de queda do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no primeiro trimestre deste ano e por investidores preocupados com a relação entre o Congresso e o governo do presidente Jair Bolsonaro. No exterior, dados econômicos fracos de Estados Unidos e China também influenciaram o mercado financeiro.

O dólar abriu o dia em alta, batendo nos 4,02 reais, com dados ruins do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB, que registrou queda de 0,68% no primeiro trimestre deste ano, segundo o Banco Central. O resultado reitera a percepção de ritmo fraco da economia brasileira. Esse indicador também influenciou o comportamento do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, que fechou em queda de 0,51%, aos 91.623 pontos.

Ainda pela manhã, no cenário externo, dados econômicos fracos foram divulgados por China e Estados Unidos. No país asiático, as vendas subiram 7,2% em abril, em comparação ao mesmo período do ano anterior, ritmo mais lento desde maio de 2003 e bem abaixo da expectativa de 8,6%. Além disso, o aumento da produção industrial desacelerou mais do que o esperado para 5,4% em abril sobre o ano anterior. Já nos Estados Unidos, as vendas no varejo caíram de forma inesperada no mês passado, em 0,2%, puxadas pela redução no comércio de veículos. Os dados preocupam, principalmente, porque os dois países estão em meio a uma guerra comercial, envolvendo a imposição de tarifas.

Horas depois, no entanto, a moeda recuou, como vinha acontecendo nas últimas semanas. “O mercado recebe as notícias pela manhã e começa a formar sua posição de segurança. Depois, entende melhor o que ocorreu e volta atrás”, afirma Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora. Dessa vez, no entanto, houve nova alta no final do dia, motivada pela tensão política interna, que aumenta a preocupação dos investidores com a reforma da Previdência.

Nesta quarta-feira, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, compareceu à Câmara dos Deputados, para dar explicações sobre os cortes nos orçamentos das universidades públicas e de instituições federais. Ele foi convocado pelos deputados, após votação na terça-feira, 14, que terminou com 307 votos a 82. Apenas Novo e PSL, o partido de Bolsonaro, colocaram-se contra. Os cortes na educação também geraram manifestações de estudantes e professores por todo o país.

Além disso, duas medidas provisórias correm o risco de perderem a validade dentro de um mês: uma sobre a reforma administrativa feita pelo novo governo, com o corte de sete ministérios, e outra que autoriza até 100% de capital estrangeiro em companhias aéreas.

Para os investidores, esses são sinais de uma articulação ruim do governo com os congressistas, gerando apreensão sobre a tramitação da reforma da Previdência. “O governo realmente não está conseguindo montar uma base coesa dentro da Câmara, e isso bate no mercado. Não conseguir aprovar uma medida provisória acaba pegando muito mal, porque só precisa de maioria simples. A reforma da Previdência precisa de mais votos”, afirma Victor Beyruti, analista da Guide Investimentos.

(Com Reuters)