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Dólar em alta no mundo, e ‘a gente sofre aqui’, alerta economista

Moeda americana se fortalece com possibilidade de juros mais altos nos EUA

Por Veruska Costa Donato 1 jul 2026, 16h17 | Atualizado em 1 jul 2026, 16h19
Dólar em alta no mundo, e ‘a gente sofre aqui’, alerta economista Priorizar nos meus resultados Google

O dólar voltou ao centro das atenções dos mercados internacionais. Depois de meses em que investidores apostavam em cortes de juros nos Estados Unidos, o cenário mudou de direção.

A economia americana continua mostrando força, especialmente no mercado de trabalho, e a expectativa agora é de que o Federal Reserve volte a elevar os juros nos próximos meses.

Iene: menor cotação em 40 anos

O resultado aparece rapidamente nas moedas ao redor do mundo: o dólar se fortalece, o iene atinge os menores níveis em quatro décadas e o real volta a perder valor diante da moeda americana, cotado a R$ 5,20 na tarde desta quarta-feira. Para o economista Alex Agostini, Austin Hating (entrevista ao programa Mercado) essa mudança representa uma virada importante na percepção dos investidores.

Juros sobem nos EUA, aposta o mercado

No início do ano, a expectativa predominante era de redução dos juros americanos. Agora, o mercado já trabalha com a possibilidade de uma alta em setembro.

Algumas instituições financeiras não descartam um movimento ainda mais cedo, talvez ainda no final deste mês, ou até um aumento mais intenso das taxas. “O mercado já comprou a hipótese de alta de juros nos Estados Unidos. Isso muda toda a regra do jogo no mercado financeiro global”, afirma.

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Juros maiores nos EUA, fuga de capitais nos emergentes

A lógica é relativamente simples. Quando os juros dos Estados Unidos sobem, os títulos do Tesouro americano passam a oferecer uma remuneração ainda mais atrativa e com baixo risco. Diante desse cenário, investidores retiram recursos de mercados considerados mais arriscados, como os países emergentes, para aplicar na maior economia do mundo.

Esse movimento aumenta a procura por dólares, fortalece a moeda americana e provoca desvalorização das moedas locais, “Juros subindo a partir de setembro nos Estados Unidos fortalece o dólar. A gente sofre aqui, já estamos sofrendo”, alerta Alex.

Inflação no Japão pressiona moeda

Os efeitos já aparecem em diferentes partes do planeta. No Japão, o iene atingiu o menor valor em cerca de quatro décadas. Segundo Agostini, o enfraquecimento da moeda japonesa também reflete problemas estruturais da economia do país, que convive há anos com baixo crescimento, consumo enfraquecido e um longo período de juros negativos.

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Cultura japonesa

O Japão tem toda aquela cultura de cautela por parte da comunidade japonesa, a economia vem patinando desde a crise da década de 90″, argumenta o economista.  Com o dólar ganhando força no mercado internacional, a pressão sobre o iene tende a aumentar ainda mais.

Dólar deve subir mais no Brasil

No Brasil, o cenário externo encontra um ambiente doméstico que também inspira cautela. O dólar voltou à faixa de R$ 5,20, impulsionado tanto pela perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos quanto pelas incertezas em relação ao quadro fiscal brasileiro.

Mais segurança no mercado americano

“Juros subindo nos Estados Unidos fortalecem o dólar. A gente sofre aqui, já estamos sofrendo”, resume Agostini. Na avaliação do economista, o investidor global continua encontrando mais segurança no mercado americano, mesmo diante do aumento da dívida pública dos Estados Unidos.

Redução de fluxo estrangeiro

Os números ajudam a explicar esse movimento. Segundo Agostini, somente em junho quase R$ 15 bilhões deixaram o Brasil em direção aos Estados Unidos, além de cerca de R$ 8 bilhões retirados de investimentos financeiros no mercado doméstico.

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Esse fluxo reduz a oferta de dólares no país justamente quando a demanda cresce, pressionando ainda mais a cotação da moeda americana e elevando a volatilidade no câmbio.

Dólar encarece economia no Brasil

Para a economia brasileira, um dólar mais forte vai muito além da cotação vista nas casas de câmbio. A valorização da moeda americana encarece importações, pressiona custos de produção, pode influenciar a inflação e dificulta o trabalho do Banco Central na condução da política monetária.

Dólar alto: Risco ao governo Lula

E dólar caro parece ser a única linguagem que o governo Lula conhece como ameaça à inflação. Em ano eleitoral, é tudo o que o Planalto não quer. Enquanto o mercado continuar apostando em juros elevados nos Estados Unidos e o Brasil não reduzir as incertezas fiscais, a tendência é de que a pressão sobre o real continue fazendo parte do cenário econômico dos próximos meses.

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