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Dólar dispara pela 11ª sessão consecutiva e fecha a R$ 4,58

O Banco Central anunciou nova intervenção para o pregão desta quinta-feira, injetando mais de 1 bilhão de dólares no mercado

Por Felipe Mendes Atualizado em 4 mar 2020, 19h54 - Publicado em 4 mar 2020, 19h39

O anúncio de que o Banco Central avalia novos cortes na taxa básica de juros, a Selic, deixou investidores intrigados. A consequência disso foi que, pela décima primeira vez consecutiva, o dólar disparou e bateu novos recordes nesta quarta-feira, 4. A moeda americana fechou o dia cotada a 4,58 reais, um avanço de 1,54% em relação ao dia anterior. É o maior valor nominal de um fechamento para o real na história — sem levar em conta a inflação. Assim como outras moedas de países emergentes, a desvalorização do real frente ao dólar é acentuada devido ao impacto do novo coronavírus na economia. A epidemia, originada na China, tem ganhado escala e causado suspensão temporária da atividade de fábricas, falta de componentes para produção mundo afora e derrocada nos índices de exportação.

Em meio ao caos, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) decidiu revisar, na segunda-feira 2, sua estimativa para a alta do Produto Interno Bruto (PIB) global para este ano. A projeção, nada pujante, da entidade é de que a economia global cresça 2,4% em 2019 — a projeção anterior era de 2,9%. Para a China, acostumada a crescer a taxas largas nos últimos anos, a OCDE prevê uma taxa de crescimento de ‘apenas’ 4,9% para o ano, redução de 0,8 ponto percentual em relação às estimativas anteriores.  O sinal de alerta foi aceso e os Estados Unidos decidiram reagir. Nesta terça-feira 3, o Federal Reserve (Fed), o Banco Central americano, promoveu uma reunião extraordinária para anunciar um corte de 0,5 ponto percentual na taxa de juros do país. Os índices agora passaram para a faixa entre 1% a 1,25% — o Fed não realizava um corte de emergência desde a crise de 2008. 

“A queda na economia é global. Já existe uma percepção de que o PIB global este ano será muito fraco. O corte de juros do Fed visa, em tese, fornecer estímulos para a economia. Mas pouco se sabe se isso será o suficiente”, diz Mauriciano Cavalcante, diretor de câmbio da Ourominas. Conter a alta do dólar é uma opção que está fora da alça do Banco Central no Brasil. A instituição tem agido nos últimos pregões, por meio da oferta de swaps cambiais, mas o efeito não tem sido o imaginado. No intervalo de um mês, a moeda americana já se valorizou mais de 8% sobre a brasileira. “O cenário está muito confuso. Em tese, o corte de juros nos Estados Unidos deveria ajudar a arrefecer a alta do dólar, mas a situação está tão fora de controle que isso não aconteceu”, diz Pablo Spyer, diretor da corretora Mirae Asset.

Alguns analistas mais ressabiados já chegam a cogitar o dólar atingindo o patamar próximo aos 5 reais em pouco tempo — caso seja concretizado os cortes na taxa de juros no Brasil. Enquanto isso não acontece, o Banco Central corre para mitigar os efeitos da alavancagem do dólar frente ao real e do crescimento da economia brasileira abaixo do esperado. Nesta quinta-feira, 5, o BC realizará uma oferta líquida de até 1 bilhão de dólares em contratos de swap cambial. Resta ver aonde as verdinhas americanas vão chegar.

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