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Dólar despenca e fecha a R$ 3,99 após ação do BC

Moeda caiu 3,73% depois de intervenções do Banco Central e do Tesouro Nacional, que aliviaram parte dos temores do mercado financeiro

Por Da Redação 24 set 2015, 17h44

O dólar despencou quase 4% e voltou a ser negociado por menos de 4 reais nesta quinta-feira. A sessão foi marcada por intensas ações do Banco Central e do Tesouro Nacional, que aliviaram em parte os temores do mercado financeiro. As declarações do presidente do BC, Alexandre Tombini, de que o país poderia usar suas reservas internacionais para conter a alta da moeda foram decisivas para a queda.

O dólar recuou 3,73%, a 3,9914 reais na venda, maior recuo em um só dia desde 24 de novembro de 2008, quando o dólar caiu 5,24%. Ao longo da sessão, a moeda americana chegou a subir 2,48%, para 4,2491 reais. A mínima do dia foi 3,9810 reais. Esta foi a primeira queda da cotação depois de cinco sessões consecutivas de alta da moeda americana, que nesta semana superou a marca de 4 reais pela primeira vez na história.

O movimento de virada começou ainda pela manhã com as declarações do presidente do BC, feitas durante a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação. Tombini garantiu que BC e Tesouro têm instrumentos adequados para conter as turbulências dos mercados. “As reservas são um seguro. Pode e deve ser utilizado”, disse. A fala de Tombini afastou as especulações de que o BC não estaria disposto a usar as reservas cambiais vendendo dólares no mercado à vista para conter o avanço das cotações.

No fim da sessão, o bom humor ganhou mais um impulso com o anúncio de um programa de leilões de venda e compra de títulos pelo Tesouro Nacional. Segundo operadores, a fala de Tombini e a ação do Tesouro deixam evidente que o governo avalia que a intensa pressão sentida nos mercados financeiros nas últimas semanas levou o mercado a agir de maneira irracional. Operadores que pediram para não se identificar descreveram o movimento recente como “disfuncional”, “exagerado”, “especulativo” e “psicológico”.

Na sessão passada, o BC já havia intensificado a intervenção no câmbio ao realizar dois leilões de venda de dólares com compromisso de recompra e um leilão de novos swaps cambiais, equivalentes a venda futura de dólares, além de anunciar para esta quinta-feira outro leilão de novos swaps, na qual vendeu a oferta total de até 20 mil contratos.

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Além disso, o BC vendeu a oferta total de até 9,45 mil swaps cambiais para rolagem dos contratos que vencem em outubro. Ao todo, já rolou o equivalente a 7,621 bilhões de dólares, ou cerca de 80% do lote total, que corresponde a 9,458 bilhões de dólares.

A moeda americana tem sido pressionada pela deterioração das contas públicas do Brasil e pelas turbulências políticas. Investidores temem que o país perca seu selo de bom pagador por outras agências de classificação de risco além da Standard & Poor’s (S&P). Também ajudou nesta sessão a melhora no mercado externo, com outras moedas emergentes também passando a cair, como os pesos chileno e mexicano.

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(Com agência Reuters)

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