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Dólar cai a R$ 4,048 e bolsa sobe descolados do cenário eleitoral

Segundo especialistas, bonança do mercado mercado brasileiro estaria mais relacionada ao mercado internacional do que a acontecimentos políticos internos

O mercado financeiro parece ter descolado parte das suas atenções do cenário eleitoral. O otimismo com o movimento internacional tem puxado a cotação dos papéis na Bolsa e derrubando o dólar. O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores de São Paulo, a B3, indicou valorização de 1,62%, aos 79.444,29 pontos. Este é o maior patamar da bolsa desde 7 de agosto. Nesta semana, a bolsa sobe aproximadamente 5%. O real se valoriza frente ao dólar nesta sexta-feira. O dólar comercial caiu 0,59%, sendo cotado a 4,048 reais na venda. A moeda americana atingiu o seu menor patamar desde 21 de agosto.

A explicação para a bonança está na diminuição da intensidade das farpas trocadas entre Estados Unidos e China, que iniciaram este ano uma guerra comercial. Recentemente, o governo chinês, em resposta às restrições de importação feitas pelos EUA, anunciou medidas para incentivar o consumo interno e reduções de impostos.

Como um dos maiores compradores de commodities do mundo, a China acaba puxando para cima os valores de insumos importantes produzidos pelo Brasil, como o minério de ferro. Não à toa, as ações da Vale se valorizaram 2,85%, a 61,01 reais.

“A China em alta acaba valorizando também o petróleo, o que favorece a Petrobras, por exemplo”, diz André Perfeito, economista-chefe da corretora Spinelli. Enquanto o preço do barril de petróleo negociado em Nova York subia 1,25%, as ações da Petrobras registravam alta de 1%. “O responsável da alta do Ibovespa está lá fora”, afirma Perfeito. Ao final do dia, a Petrobras fechou a cotada a 20,14 reais, com alta de 1,36%.

Adauto Lima, da corretora Western Asset, diz que o clima comercial mais ameno tem ajudado, principalmente, moedas de países emergentes.

“Com o preço atual, o real apreciou quase 3% na semana. Mas o peso mexicano e o rand sulafricano, além da lira turca, também apreciaram. Não podemos descartar o impacto das pesquisas, mas não é um movimento isolado”, afirma Lima.

Além do cenário externo favorável, as pesquisas eleitorais não têm assustado o mercado. Perfeito diz que o mercado faz uma leitura positiva das últimas pesquisas, que causaram impacto menor do que o mercado externo.