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Dólar cai 2,3% e fecha abaixo de R$ 4

Mesmo com a queda, moeda encerra mês de setembro com alta acumulada de quase 10% e de quase 50% no ano

O dólar fechou com queda de mais de 2% e voltou a ser cotado abaixo de 4 reais nesta quarta-feira, com investidores reagindo bem às ações tomadas pelo governo para apaziguar as tensões com a base aliada. A moeda recuou 2,31% e terminou cotada a 3,96 reais. Mesmo assim, o dólar terminou setembro com a terceira alta mensal consecutiva. No mercado, acredita-se que as altas devem continuar nos próximos meses. O ritmo desse avanço, no entanto, deve ser menor, segundo muitos analistas, com o Banco Central calibrando sua intervenção para coibir surtos de volatilidade.

Em setembro, a moeda acumulou avanço de 9,33%, somando alta de 27,55% nos últimos três meses e de 49,15% no ano. A moeda tem sido pressionada pela rápida deterioração dos fundamentos econômicos do Brasil, com foco nas contas públicas, que investidores temem poder provocar a perda do selo de bom pagador do país com outras agências de classificação de risco, além da Standard & Poor’s.

A moeda norte-americana engatou a quinta marcha na semana passada, quando alcançou seu nível recorde tanto no intradia quanto no fechamento. O BC reagiu reforçando sua intervenção no câmbio com leilões de venda de dólares com compromisso de recompra, conhecidos como leilões de linha, e de novos swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares.

No entanto, absteve-se de atuar no mercado à vista, o que implicaria o uso das reservas internacionais. O debate sobre essa possibilidade vem injetando volatilidade no mercado nos últimos dias. “Não tem como escapar, não há leilão que segure a alta do dólar, que vem dos fundamentos. O que o BC faz é amortecer esse avanço”, disse o diretor de câmbio do Banco Paulista, Tarcísio Rodrigues.

“O BC parece ter escolhido uma estratégia de intervenção cambial caracterizada por ‘imprevisibilidade’, com o momento, o tamanho e o produto específico a serem adotados variando diariamente”, escreveu o estrategista global de câmbio do Nomura Mario Roble. Ele ressaltou que “efetivamente, não há motivo urgente para usar as reservas, pelo menos de um ponto de vista de fundamentos”.

Essa percepção foi reforçada também pela informação de que a autoridade monetária vendeu apenas parcialmente a oferta nos três leilões de linha realizados nos dias 21 e 23 de setembro, o que pode ser evidência de demanda limitada por dólares. A autoridade monetária também concluiu nesta sessão a rolagem dos swaps que vencem na quinta-feira, rolando 95% da oferta total.

Nesta sessão, o bom humor ganhou um impulso com a notícia de que o ministro da Defesa, Jaques Wagner, vai assumir a Casa Civil no lugar de Aloizio Mercadante, que irá para o Ministério da Educação, segundo fontes do governo. A decisão foi interpretada como uma esperança para restabelecer a base aliada no Congresso.

“A melhora no cenário político passa pela visão de que os vetos da presidente (Dilma Rousseff) podem ser aprovados pelo Congresso, e cresce a chance de a CPMF emplacar”, disse o estrategista da corretora Coinvalores Paulo Celso Nepomuceno, referindo-se a medidas que podem contribuir para o reequilíbrio das contas públicas.

A queda do dólar nos mercados externos também corroborou o recuo da moeda contra o real, em um dia de apetite por risco nos mercados globais. A moeda dos EUA recuou firmemente contra moedas de países como os pesos chileno e mexicano.

Pela manhã, as operações foram influenciadas ainda pela briga pela formação da Ptax, taxa calculada pelo BC que serve como referência para diversos contratos cambiais. Operadores costumam disputar no último pregão do mês para deslocar as cotações de forma a garantir uma taxa mais favorável a seus negócios.

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(Com agência Reuters)