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Dólar alto dificulta importação de veículos, diz Abeiva

Por Gustavo Porto e Wladimir D’Andrade

São Paulo – Além da pressão da recente alta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre veículos importados, a Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva) avalia que o cenário macroeconômico do Brasil – com restrição ao crédito ao consumidor, a perspectiva de crescimento menor e a alta no dólar – trará um ano “extremamente complicado” para o mercado de veículos importados.

“Com o dólar próximo a R$ 2, fica extremamente complicado para as empresas importarem”, disse nesta segunda-feira o vice-presidente da Abeiva, Marcel Visconde. “Além da elevação dos preços (por conta da alta do IPI), o mercado interno patina e o governo não faz a parte dele.”

Segundo Ricardo Struntz, diretor financeiro da associação, apenas 30% das fichas cadastrais de clientes interessados em comprar carro são aprovadas pelos bancos para a concessão de crédito. “O fluxo dos bancos não chega aos consumidores”, afirmou o executivo, durante coletiva da Abeiva realizada em São Paulo.

Já o presidente da associação, Flavio Padovan, defendeu a redução de impostos como a medida mais eficaz para reaquecer o mercado de veículos importados no País, cujas vendas das companhias associadas à entidade caíram 9,2% no primeiro quadrimestre de 2012 ante igual período de 2011. “Essa medida (redução de impostos) foi extremamente eficaz na crise de 2008”, exemplificou.

Dados da Abeiva apontam que a participação dos veículos importados pelas associadas à entidade entre todos os veículos – nacionais e importados – comercializados no País, que variava de 6% a 7% em 2011, caiu para 4,87% em abril. Somente entre os importados, a participação dos associados da Abeiva recuou de 21,3% de janeiro a abril de 2011 para 18,4% no primeiro quadrimestre de 2012.

Enquanto os veículos importados pela Abeiva perderam mercado, os trazidos, por exemplo, do México pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) apresentaram uma alta de 161% se comparados os mesmos quadrimestres. Esses veículos estão sob um regime de cotas de importação com IPI diferenciado pelo fato de as montadoras terem fábricas no Brasil.