Disputa por fundos do ASA chega aos cotistas antes de votação
Assembleias de quatro fundos com cerca de 220 milhões de reais decidem na terça-feira a transferência da gestão para a B.Side; ASA tentou barrar votação na Justiça
A disputa pelo comando de quatro fundos que pertenciam à Gauss Capital, de Fábio Okumura, entrou numa nova fase às vésperas das assembleias que decidirão se a gestão dos veículos permanecerá com o ASA, de Alberto Safra, ou será transferida para a B.Side Wealth Management. As votações estão marcadas para a próxima terça-feira, 8, e envolvem mais de 400 cotistas.
Nos bastidores, porém, a discussão já extrapolou os documentos das assembleias. Segundo relatos obtidos pelo Radar Econômico, cotistas dos fundos vêm sendo procurados e pressionados em meio à disputa pela transferência da gestão. Pessoas que acompanham as negociações dizem que houve uma mobilização para tentar evitar que a mudança para a B.Side seja aprovada. O episódio elevou a temperatura de uma separação que começou com a saída de Okumura do ASA, em junho.
A ofensiva mais explícita ocorreu na Justiça. O ASA tentou impedir a realização das assembleias, inicialmente convocadas para 27 de agosto, mas teve o pedido negado pelo juiz Fabio Henrique Prado de Toledo, da 3ª Vara Empresarial e Conflitos de Arbitragem de São Paulo. Na ação, o grupo sustentou, entre outros argumentos, que Okumura teria descumprido uma cláusula de não competição após deixar a instituição. A Justiça entendeu que eventuais conflitos entre as partes devem ser discutidos em processo próprio e não impedem os cotistas de decidir quem administrará seus recursos.
As assembleias foram então remarcadas para terça-feira e serão realizadas eletronicamente pelo S3 Caceis, administrador dos fundos. Estão em jogo o ASA Gauss Classe de Investimento Multimercado, o ASA Gauss Classe FIC Classe FIM RL, o ASA Zaftra Classe de Investimento Multimercado e o ASA Zaftra CIC Classe FIM RL. Juntos, eles somam aproximadamente 220 milhões de reais de patrimônio e mais de 400 cotistas.
Os fundos chegaram ao ASA depois do acordo com a Gauss Capital, anunciado em junho de 2025. Na época, o ASA divulgou a operação como uma aquisição da gestora fundada por Okumura e informou que seus produtos e profissionais seriam incorporados à ASA Asset. A estrutura jurídica do negócio, porém, não envolveu a compra da pessoa jurídica da Gauss: o ASA contratou a equipe e assumiu a gestão dos fundos.
Pouco mais de um ano depois, Okumura deixou a instituição. A separação acabou abrindo uma disputa em torno dos fundos que haviam acompanhado o executivo na ida ao ASA. A votação de terça-feira será o primeiro teste concreto de quem conseguiu convencer os cotistas: se aprovada a mudança, parte relevante da carteira originalmente trazida pela Gauss deixará a casa de Alberto Safra pouco mais de um ano depois de sua chegada.





