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Disputa política deve barrar ajustes até 2018, diz estrela das finanças

Para Luis Stuhlberger, considerado um dos melhores gestores de recursos do país, embate entre partidos tende a atrasar as medidas necessárias para a volta do crescimento

Por Marcelo Sakate 17 dez 2015, 11h08

A disputa política pelo poder entre o PT e o PMDB deve inviabilizar, até 2018, ano das próximas eleições presidenciais, a aprovação de qualquer medida profunda necessária para a retomada do crescimento sustentado da economia brasileira. A avaliação é de Luis Stuhlberger, um dos nomes mais respeitados entre os gestores de recursos do país.

“Eu não consigo ver claramente um vencedor nessa batalha. É como se fosse uma guerra de trincheira que se arrasta por anos, sem que seja possível prever o que vai acontecer”, diz Stuhlberger, que faz a analogia da situação política com a I Guerra Mundial (1914-1918), até pela coincidência de anos (2014-2018), com a diferença de um século entre os períodos. Segundo ele, apenas nas eleições de 2018 deve emergir um lado vencedor.

Para o financista, as investigações da Operação Lava Jato estão dizimando uma parte da oligarquia nacional, o que inclui grandes grupos empresariais e políticos com histórico no poder. Isso criou uma situação em que os interesses do país ficam em segundo plano. “No fundo, todo mundo está querendo se salvar. É um interesse que vai muito além do impeachment”, afirma.

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Isso significa que não há condições políticas para a aprovação no Congresso, por exemplo, de nenhuma medida de caráter estrutural do ajuste fiscal, que possa reverter a trajetória de piora da dívida pública. Nesse contexto, a eventual recriação da CPMF, o tributo cobrado sobre operações financeiras, pode servir apenas como uma “ponte de dois anos”, para que o governo consiga complementar as receitas até chegar ao ano eleitoral de 2018.

Stuhlberger avalia que, enquanto os brasileiros estão mais pessimistas com a situação no país, os investidores estrangeiros continuam interessados no médio e longo prazos e observam a crise atual como um período de transição pela qual o país passa rumo a um regime político melhor, em que medidas populistas percam espaço no debate nacional.

À frente de seu principal fundo de investimento, o Verde, Stuhlberger construiu a sua reputação com diagnósticos certeiros sobre a economia e o olhar apurado para escolher as aplicações financeiras mais rentáveis a cada situação. Desde 1997, o Verde acumula rentabilidade de 11.900%, muito à frente dos 1.480% do CDI no mesmo período. No início de 2015, ele lançou a sua própria gestora, a Verde Asset Management, que hoje administra 39 bilhões de reais em ativos, depois de oito anos no banco Credit Suisse Hedging-Griffo.

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