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DIs sobem com receio de inflação

Por Da Redação 5 jan 2012, 15h46

Por Márcio Rodrigues

São Paulo – A deterioração dos ativos no exterior, com consequente valorização do dólar, e os dados fracos da atividade doméstica – a produção industrial subiu apenas 0,3% em novembro, ante outubro – ficaram em segundo plano no mercado de juros futuros, que seguiu respondendo às preocupações com a inflação doméstica. Os agentes já estão preparados para o eventual estouro da meta em 2011, a ser confirmado ou não com o IPCA de dezembro, amanhã, mas o fato não deixaria de ser negativo. Além disso, rumores de que haveria discordâncias por parte da diretoria do Banco Central em torno dos ajustes da Selic causaram desconforto no mercado, com as taxas curtas em leve alta, enquanto os vencimentos longos sobem com mais consistência.

Ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013, com giro de 279.285 contratos, estava na máxima de 10,15%, ante 10,13% no ajuste. Assim, a probabilidade estampada na curva a termo é de mais um corte de 0,50 ponto porcentual da Selic, em janeiro, e outro de 0,30 ponto porcentual na reunião seguinte. Ou seja, não há consenso se a taxa básica chegará ou não em 10% neste ano. O DI janeiro de 2014 (150.350 contratos) marcava 10,63%, de 10,60% na véspera. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (34.490 contratos) subia a 11,12%, de 11,04% ontem, enquanto o DI janeiro de 2021 (1.280 contratos) avançava para 11,28%, de 11,19% no ajuste.

Amanhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anuncia o IPCA de dezembro. Se o indicador superar 6,50%, será a primeira vez em oito anos que o Banco Central não cumprirá a meta de inflação programada para o ano. Levantamento realizado pelo AE Projeções com 50 instituições mostra que os economistas trabalham com estimativas que vão de uma taxa de 6,50% a 6,61%, com mediana de 6,56%. Para 51 instituições, a inflação oficial brasileira deve encerrar dezembro com variação positiva de 0,49% a 0,60%, com mediana de 0,55%.

No exterior, as preocupações com a Europa pesaram mais do que alguns indicadores positivos dos EUA, sobretudo vindos do mercado de trabalho. Os temores em relação aos bancos do velho continente voltaram à tona e derrubaram os papéis das instituições. E os indicadores também não foram positivos. Na Alemanha, as vendas ao varejo em novembro foram muito fracas. Ao invés da alta de 0,5% que os economistas esperavam, houve queda de 0,9%. Além disso, na zona do euro, as encomendas à indústria tiveram uma alta, mas ela foi de 1,8% – menor do que os 2,5% que se projetava.

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